As imagens chocaram a população ao mostrar um homem sendo brutalmente espancado, supostamente por membros da facção criminosa PCC. O episódio aconteceu após o motociclista desobedecer faixas implantadas em comunidades da Grande São Paulo, que proíbem manobras perigosas com motos.
Essas faixas, que têm como objetivo impor regras de conduta, trazem dizeres como: “Proibido tirar de giro e chamar no grau. Sujeito a cacete. Não aceitamos isso na nossa comunidade”.
“Tirar de giro” é o termo usado para descrever o som alto e explosivo do escapamento das motos, enquanto “chamar no grau” se refere à prática de empinar a roda dianteira da moto, algo que gera riscos e incomoda moradores locais.
Em um vídeo que viralizou na época, o motociclista aparece fazendo um pedido de desculpas público. Sob supervisão de homens não identificados, ele explica que essas regras foram impostas para proteger a comunidade, especialmente crianças e idosos, além de garantir o descanso de trabalhadores.
“Quero dizer que essas faixas são, sim, para serem respeitadas, entendeu, mano? Quem está colocando é a comunidade, é o crime, em prol da população”, afirma no vídeo.
Após a retratação, ele alerta sobre as consequências de desobedecer às normas: “Porque quem vier a fazer isso daí vai ser pego para exemplo pra levar pau, como eu estou sendo”. O vídeo, então, registra o momento em que o homem é agredido violentamente com chutes, socos e cotoveladas.
Expansão do controle
A reportagem apurou que as faixas apareceram em várias regiões de São Paulo, como Heliópolis, Parelheiros e Jaçanã, além de áreas da Grande São Paulo, todas dominadas pelo PCC.
Essas sinalizações são colocadas em vias movimentadas para intimidar possíveis infratores. Segundo moradores, as punições para quem desobedece são frequentemente divulgadas para reforçar a mensagem e evitar reincidências.
Embora não esteja claro qual seria a punição para quem desrespeita repetidamente as regras, o episódio em Osasco é um exemplo da brutalidade com que as normas podem ser aplicadas.
Investigação policial
A Polícia Civil iniciou investigações para identificar os responsáveis pela instalação das faixas e pelas agressões. Algumas delas foram removidas por ordem da polícia, e o homem espancado em Osasco foi identificado, mas não registrou boletim de ocorrência.
A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) também apura a presença de faixas em outras regiões e possíveis ligações com crimes relacionados ao tráfico de drogas. Em nota, a polícia informou que está verificando se há conexões entre os avisos e o controle exercido pelo PCC nas comunidades.
Esse episódio exemplifica o poder paralelo exercido pelo crime organizado em algumas regiões do país, onde as regras impostas pelo PCC chegam a superar a autoridade do Estado, deixando um rastro de violência e temor.
