Planta comum no Brasil vira foco de estudo no combate ao câncer

Comum em quintais e biomas como o Cerrado e a Caatinga, a planta é cercada pela crença em seu poder curativo, especialmente contra tumores

Atualmente, o uso da janaúba no tratamento oncológico é utilizado apenas no campo experimental

Atualmente, o uso da janaúba no tratamento oncológico é utilizado apenas no campo experimental | Wirestock/Freepik

Conhecida popularmente como uma ‘farmácia viva’, a janaúba (Himatanthus drasticus) é uma espécie nativa do Brasil que desperta debates intensos entre o conhecimento tradicional e o rigor científico.

Continua após a publicidade

Comum em quintais e biomas como o Cerrado e a Caatinga, a planta é cercada pela crença em seu poder curativo, especialmente contra tumores.

No entanto, pesquisadores e médicos alertam que, embora o látex da planta possua compostos promissores, seu uso medicinal ainda carece de validação segura para humanos.

Potencial medicinal no foco da ciência

Atualmente, o uso da janaúba no tratamento oncológico é utilizado apenas no campo experimental. Estudos realizados in vitro (em laboratório) indicaram que compostos como iridoides e flavonoides presentes na planta podem agir contra células de câncer de mama e de próstata, além de possuir propriedades anti-inflamatórias.

Continua após a publicidade

Contudo, o oncologista Cleuber Barbosa de Oliveira afirmou que estes resultados ainda não foram validados em seres humanos.

Sem ensaios clínicos controlados, o uso da planta como terapia antineoplásica não possui respaldo científico ou regulatório. O especialista reforçou que a quimioterapia convencional, cujos compostos muitas vezes derivam de plantas, continua sendo o único protocolo com segurança e eficácia comprovadas.

Perigos dos preparos artesanais e da automedicação

Um dos maiores riscos associados à janaúba é o consumo das chamadas “garrafadas”, preparadas artesanalmente. Estas costumam sofrer com a falta de padronização na dosagem, contaminação microbiológica ou diluição inadequada.

Continua após a publicidade

No caso dos pacientes em tratamento oncológico, o perigo é ainda maior:

  • Interações medicamentosas: os compostos da planta podem anular o efeito dos fármacos da quimioterapia.
  • Baixa imunidade: a fragilidade do sistema imune durante o tratamento torna o paciente vulnerável a infecções graves, como sepse, causadas por preparados contaminados.
  • Efeitos colaterais: o uso do látex pode provocar náuseas, diarreia, dor abdominal e até toxicidade hepática.

O uso também é totalmente contraindicado para gestantes, crianças e pessoas com insuficiência renal ou hepática.

Como cultivar a janaúba de forma segura

Além do uso medicinal, a janaúba é muito bem vista no paisagismo por sua durabilidade e beleza. Trata-se de uma árvore que pode atingir de três a 10 metros de altura, apresentando flores brancas perfumadas em formato de “catavento”.

Continua após a publicidade

Para quem deseja cultivá-la, as recomendações principais são:

  • Luminosidade: a planta exige sol pleno para um bom desenvolvimento;
  • Bom solo e rega adequada: deve ser plantada em solo bem drenado, evitando o encharcamento;
  • Cuidado com geadas: tolera bem períodos de seca, mas não suporta geadas intensas;
  • Atenção no manejo: é fundamental o uso de luvas, pois o látex da planta é irritante e tóxico em contato direto com a pele.

Embora possa ser mantida em vasos grandes na fase jovem, o plantio direto no solo é o mais indicado para que a árvore atinja sua longevidade e potencial total.