A Prefeitura de São Paulo segue com o projeto do Bonde São Paulo, inspirado nos veículos do tipo que circularam pela cidade a partir de 1900 e que acabou extinto décadas depois. Uma importante cidade do mundo nunca paralisou o modelo: San Francisco, nos Estados Unidos.
Os famosos “cable cars “continuam cruzando ladeiras íngremes da localidade californiana mais de 150 anos após sua criação, e seguem como um dos cartões-postais mais emblemáticos dos Estados Unidos.
São Francisco também possui um sistema de VLT conhecido como Muni Metro. É uma rede híbrida com sete linhas que opera tanto em túneis subterrâneos no centro quanto na superfície, conectando áreas como a Market Street a vários bairros.
Esses VLTs são mais semelhantes ao projeto de São Paulo, mas ambos são inspirados nos bondes.
Os bondes californianos
Os bondes puxados por cabos subterrâneos nasceram em 1873, idealizados pelo empresário e inventor Andrew Smith Hallidie. A proposta era simples, mas revolucionária para a época: substituir os veículos movidos a cavalos, que tinham dificuldade para subir as colinas escorregadias da cidade.
O primeiro trajeto foi inaugurado na Clay Street e rapidamente se transformou em sucesso.
Hoje, o sistema é operado pela San Francisco Municipal Transportation Agency e integra o transporte público oficial da cidade. Mesmo assim, sua função vai além da mobilidade: os bondes se tornaram patrimônio histórico e atração turística permanente.
Museu em movimento
Diferentemente dos bondes elétricos modernos encontrados em várias cidades do mundo, os veículos de San Francisco ainda funcionam com tecnologia mecânica tradicional. Cabos em movimento passam continuamente sob as ruas, enquanto operadores controlam manualmente o “grip”, mecanismo que agarra o cabo para impulsionar o veículo.
O sistema atual possui três linhas principais (Powell-Hyde, Powell-Mason e California Street) que atravessam regiões históricas e áreas turísticas. O percurso inclui vistas para a baía de San Francisco Bay, ruas inclinadas e bairros tradicionais.
Os bondes também são considerados monumentos históricos nacionais. Em 1964, o sistema foi reconhecido pelo governo dos Estados Unidos como marco histórico, reforçando seu valor cultural e arquitetônico.
Resistência ao fim
Apesar da popularidade atual, os bondes quase desapareceram no século 20. Com o avanço dos ônibus e automóveis, autoridades municipais consideraram o sistema caro e ultrapassado. Na década de 1940, diversas linhas foram fechadas.
A preservação ocorreu graças à mobilização popular liderada por Friedel Klussmann, ativista que organizou campanhas para impedir o encerramento definitivo das operações. O movimento conseguiu salvar parte da rede, garantindo que os bondes sobrevivessem como patrimônio urbano.
Atualmente, milhões de visitantes utilizam os bondes todos os anos. As plataformas externas lotadas de turistas pendurados nas laterais dos veículos se tornaram imagem clássica de San Francisco.
Bondes em São Paulo
A prefeitura paulistana anunciou no fim de 2023 um plano para criar duas linhas VLTs no centro da cidade. Em abril de 2026, porém, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que adotará na verdade o sistema DRT (Digital Rail Transit), tecnologia prevista para o projeto do VLE.
A mudança, segundo a gestão, está no material rodante e na forma de implantação da via.
“Enquanto o VLT opera sobre trilhos fixos, o DRT utiliza veículos sobre pneus guiados por trilhos virtuais, neste caso, magnéticos. Não haverá alteração no traçado previamente apresentado”, afirmou a SP Urbanismo, em nota.
Segundo Nunes, a mudança vai possibilitar uma economia de quase 50% aos cofres públicos.
Os estudos preliminares indicam uma rede de aproximadamente 12 quilômetros, distribuída em duas linhas que conectariam cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas da CPTM.
