A fraude de identidade no Brasil atingiu um novo patamar de sofisticação com o surgimento do golpe do sósia, uma modalidade criminosa que inverte a lógica tradicional do crime cibernético ao usar inteligência e comparação facial para selecionar vítimas compatíveis com os traços do próprio estelionatário.
Em vez de roubar os dados de alguém para depois tentar se passar por ela, os fraudadores agora escaneiam bases de dados ilícitas à procura de um “sósia” perfeito, uma pessoa real cujas feições sejam quase idênticas às do criminoso, abrindo brechas para que a validação biométrica de bancos e corretoras seja burlada e o golpe seja aplicado com maior facilidade.
Sudeste lidera com 557 mil fraudes barradas
O Sudeste permanece como o principal epicentro do problema no país, concentrando 46,5% do total de 557.097 investidas registradas, e sustenta a maior taxa de risco regional (0,72%), com picos expressivos em datas comemorativas como o Dia dos Namorados, quando o perigo de falsificação disparou 22% acima da média nacional.
As tentativas de invasão e falsificação barradas pelos sistemas de proteção somaram 2,86 milhões de ocorrências nos primeiros seis meses deste ano, marca que representa um salto de 32,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
O ritmo das investidas equivale a um ataque de alto risco deflagrado a cada 5 segundos no país, cenário que evitou um prejuízo direto estimado em R$ 3,77 bilhões para instituições e clientes.
A engenharia reversa aplicada pelos estelionatários transforma documentos tradicionais como a CNH (com 0,52% das investidas) e o RG (0,42%) em insumos estratégicos para validar fraudes complexas após o cruzamento facial bem-sucedido.
Telefonia e mercado financeiro lideram vulnerabilidades
O setor de telefonia lidera o índice de vulnerabilidade proporcional, registrando uma taxa de risco de 3,56%, patamar 84% superior à média nacional, enquanto o mercado financeiro composto por fintechs, bancos e emissoras de cartão responde pela maior quantidade absoluta de fraudes registrados no território brasileiro.
Anúncios fraudulentos na internet e páginas clonadas originam 62% das abordagens iniciais, funcionando como a porta de entrada para a captura massiva de documentos e dados pessoais que alimentarão os motores de comparação facial.
Geração Z e X inflam as fraudes
Dados inéditos do Mapa da Fraude da Serasa Experian, referentes ao primeiro semestre de 2026, revelam que as gerações Z e X somam mais de 62% dos alvos dessas investidas digitais, um reflexo da exposição contínua desse público a ambientes virtuais e cadastramentos bancários instantâneos.
Golpistas concentram as ofensivas contra o sistema financeiro e de telecomunicações prioritariamente às terças e quartas-feiras, no intervalo entre 11h e 15h, horário de pico em que as equipes de análise de risco e os próprios consumidores estão sob maior volume de demandas diárias.
Serasa orienta uso de novas camadas de segurança
A Serasa Experian alerta que a checagem facial isolada perdeu eficiência e recomenda às instituições a aplicação de prova de vida em tempo real, checagem automatizada de documentos e análise comportamental contínua do usuário para barrar acessos indevidos.
Alertas para o consumidor final incluem manter atenção redobrada durante o horário crítico do meio do dia e desconfiar de perdas repentinas de sinal no celular, notificações de abertura de contas não solicitadas e mensagens promocionais que condicionem benefícios ao envio imediato de fotos de documentos.
