Nova fraude usa sósias para burlar biometria facial e atinge 62% das vítimas, com pico entre 11h e 15h entre as Gen Z e Gen X

Mapeamento revela que criminosos escolhem vítimas compatíveis com a própria fisionomia para enganar testes de reconhecimento facial

Golpe do sósia usa inteligência e comparação facial para selecionar vítimas semelhantes aos criminosos. Nova modalidade de fraude de identidade burla validações biométricas no País / Karola G/Pexels

A fraude de identidade no Brasil atingiu um novo patamar de sofisticação com o surgimento do golpe do sósia, uma modalidade criminosa que inverte a lógica tradicional do crime cibernético ao usar inteligência e comparação facial para selecionar vítimas compatíveis com os traços do próprio estelionatário.

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Em vez de roubar os dados de alguém para depois tentar se passar por ela, os fraudadores agora escaneiam bases de dados ilícitas à procura de um “sósia” perfeito, uma pessoa real cujas feições sejam quase idênticas às do criminoso, abrindo brechas para que a validação biométrica de bancos e corretoras seja burlada e o golpe seja aplicado com maior facilidade.

Sudeste lidera com 557 mil fraudes barradas

O Sudeste permanece como o principal epicentro do problema no país, concentrando 46,5% do total de 557.097 investidas registradas, e sustenta a maior taxa de risco regional (0,72%), com picos expressivos em datas comemorativas como o Dia dos Namorados, quando o perigo de falsificação disparou 22% acima da média nacional.

As tentativas de invasão e falsificação barradas pelos sistemas de proteção somaram 2,86 milhões de ocorrências nos primeiros seis meses deste ano, marca que representa um salto de 32,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

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O ritmo das investidas equivale a um ataque de alto risco deflagrado a cada 5 segundos no país, cenário que evitou um prejuízo direto estimado em R$ 3,77 bilhões para instituições e clientes.

A engenharia reversa aplicada pelos estelionatários transforma documentos tradicionais como a CNH (com 0,52% das investidas) e o RG (0,42%) em insumos estratégicos para validar fraudes complexas após o cruzamento facial bem-sucedido.

Telefonia e mercado financeiro lideram vulnerabilidades

O setor de telefonia lidera o índice de vulnerabilidade proporcional, registrando uma taxa de risco de 3,56%, patamar 84% superior à média nacional, enquanto o mercado financeiro composto por fintechs, bancos e emissoras de cartão responde pela maior quantidade absoluta de fraudes registrados no território brasileiro.

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Anúncios fraudulentos na internet e páginas clonadas originam 62% das abordagens iniciais, funcionando como a porta de entrada para a captura massiva de documentos e dados pessoais que alimentarão os motores de comparação facial.

Geração Z e X inflam as fraudes

Dados inéditos do Mapa da Fraude da Serasa Experian, referentes ao primeiro semestre de 2026, revelam que as gerações Z e X somam mais de 62% dos alvos dessas investidas digitais, um reflexo da exposição contínua desse público a ambientes virtuais e cadastramentos bancários instantâneos.

Golpistas concentram as ofensivas contra o sistema financeiro e de telecomunicações prioritariamente às terças e quartas-feiras, no intervalo entre 11h e 15h, horário de pico em que as equipes de análise de risco e os próprios consumidores estão sob maior volume de demandas diárias.

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Serasa orienta uso de novas camadas de segurança

A Serasa Experian alerta que a checagem facial isolada perdeu eficiência e recomenda às instituições a aplicação de prova de vida em tempo real, checagem automatizada de documentos e análise comportamental contínua do usuário para barrar acessos indevidos.

Alertas para o consumidor final incluem manter atenção redobrada durante o horário crítico do meio do dia e desconfiar de perdas repentinas de sinal no celular, notificações de abertura de contas não solicitadas e mensagens promocionais que condicionem benefícios ao envio imediato de fotos de documentos.