A nova ligação entre São Paulo e a Baixada Santista terá cerca de 80% da futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes construída em túneis. Dos 21,65 quilômetros previstos, 17,3 deles passarão pelo subsolo da Serra do Mar, em um projeto concebido para reduzir os impactos sobre a Mata Atlântica.
Segundo a Ecovias Imigrantes, uma das premissas do projeto é causar o menor impacto possível ao meio ambiente. Por isso, a nova ligação foi projetada com cinco túneis e 11 obras de arte especiais, entre pontes e viadutos. Um dos túneis previstos terá mais de 6 quilômetros de extensão e deverá se tornar o maior túnel rodoviário do Brasil.



Por que quase toda a obra será subterrânea?
De acordo com a concessionária, a principal razão para o traçado ser majoritariamente subterrâneo é reduzir os impactos sobre a Mata Atlântica. Como a nova ligação atravessará a Serra do Mar, uma das premissas do projeto foi diminuir ao máximo a necessidade de supressão de vegetação nativa.

Para isso, a concessionária optou por priorizar túneis, pontes e viadutos em vez de grandes cortes no terreno e aterros. O projeto também prevê o aproveitamento das estradas de serviço já existentes no Sistema Anchieta-Imigrantes, reduzindo a abertura de novas frentes de intervenção na serra.
Conforme a Ecovias, a obra envolve elevado grau de complexidade ambiental e técnica. Por isso, o desenvolvimento do empreendimento inclui estudos geológicos, topográficos e de sondagem antes da execução das obras.
Projeto prevê 22 programas ambientais
À Gazeta, a Ecovias informou que a viabilidade ambiental do empreendimento já foi atestada pelos órgãos ambientais, que emitiram a Licença Prévia.
Como parte do processo de licenciamento, a concessionária protocolou na CETESB o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), que reúne 22 programas ambientais destinados a minimizar os impactos da obra.
Entre as medidas previstas estão programas de controle de erosão, gestão de resíduos, monitoramento da fauna, da flora e da qualidade da água, controle de emissões atmosféricas, comunicação social, recuperação ambiental, capacitação das equipes para atuação em áreas sensíveis e plantios compensatórios.
O estudo também contempla ações voltadas ao monitoramento de ruídos e vibrações, controle de tráfego, gestão do patrimônio histórico e um programa de desapropriação e desafetação de áreas do Parque Estadual e do Parque Perequê.
Em que fase está o projeto?
Segundo a Ecovias, os projetos funcional e básico da terceira pista foram concluídos em fevereiro e outubro de 2025, respectivamente. A expectativa é que o projeto executivo seja finalizado nas próximas semanas.
Após essa etapa, o material será submetido à certificação de uma empresa especializada credenciada pelo Inmetro. Conforme a concessionária, como ocorre em empreendimentos dessa complexidade, essa fase poderá resultar em eventuais ajustes.
A previsão é que todas as etapas de desenvolvimento dos projetos e do licenciamento ambiental sejam concluídas até o fim do segundo semestre de 2026. Somente após essa fase serão definidas as características finais do empreendimento, os materiais, as técnicas construtivas, os custos e, posteriormente, o início das obras, conforme as definições do Governo do Estado de São Paulo.
O que prevê a ampliação?
Cinco décadas após a inauguração da Rodovia dos Imigrantes, o Sistema Anchieta-Imigrantes continua sendo o principal corredor de ligação entre a Região Metropolitana de São Paulo, a Baixada Santista e o Porto de Santos. O aumento no fluxo de veículos nos últimos anos é um dos fatores que motivaram o projeto da terceira pista.
Entre 2010 e 2025, o volume médio diário passou de 98,5 mil para mais de 123 mil veículos, crescimento de aproximadamente 25%, segundo dados divulgados anteriormente para o sistema.
Para ampliar essa capacidade, o projeto prevê investimento estimado em R$ 8 bilhões na construção de uma nova ligação entre o planalto e a Baixada Santista.
Segundo estimativas divulgadas para o empreendimento, quando concluída, a nova pista deverá aumentar em até 145% a capacidade para caminhões e ônibus na travessia da Serra do Mar, ampliar em cerca de 25% a capacidade total do Sistema Anchieta-Imigrantes e contribuir para reduzir os congestionamentos registrados nos acessos ao litoral.
