Um projeto viário aguardado há anos pela zona sul de São Paulo avançou para uma nova fase e pode alterar de forma significativa a mobilidade na região.
Avaliada em cerca de R$ 450 milhões, a construção da Ponte Graúna-Gaivotas prevê uma nova ligação sobre a Represa Billings, conectando áreas hoje separadas pelo Braço do Cocaia e encurtando trajetos que chegam a ultrapassar uma hora nos períodos de pico.
A obra, planejada pela Prefeitura, pretende reorganizar o sistema viário local, criar uma travessia direta entre bairros como Grajaú e Cidade Dutra e integrar diferentes modais de transporte, incluindo ônibus, ciclovias e circulação de pedestres.
Uma série de obras vem sendo feitas na zona sul da capital paulista, no fim do ano passado, a Prefeitura de São Paulo inaugurou a terceira etapa do Parque Linear Cantinho do Céu – Adolfo Duarte “Ferrugem”, na região do Grajaú.
Redução no deslocamento
Atualmente, a represa funciona como uma barreira física para mais de um milhão de moradores da região, que precisam contornar longos trechos para acessar serviços, emprego e conexões com o transporte sobre trilhos.
A expectativa é que, com a nova ligação, o deslocamento entre os dois lados da Billings seja reduzido para cerca de 14 minutos, dependendo das condições de tráfego.
O projeto inclui a implantação de novas vias, requalificação de avenidas existentes e criação de acessos contínuos antes e depois da travessia. Também estão previstos passeios para pedestres, ciclovia segregada, iluminação pública e adequações para o transporte coletivo.
Documentos técnicos indicam que a ponte terá aproximadamente 960 metros de extensão, com duas faixas por sentido, além de espaço dedicado a ciclistas e pedestres.
Mudanças na mobilidade
O sistema viário será dividido em três trechos principais, conectando avenidas como Lourenço Cabreira, Manuel Alves Soares e Dona Belmira Marin, além de vias locais no entorno do Parque Cocaia e das Gaivotas.
A proposta prevê integração direta com corredores de ônibus da zona sul, como os das avenidas Teotônio Vilela e Dona Belmira Marin, além de facilitar o acesso ao Terminal Grajaú e à Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, (CPTM).
A reorganização das linhas e das paradas será decisiva para o impacto real da obra no dia a dia da população.
O edital de licitação foi lançado em outubro de 2024, marcando um avanço após anos de estudos e ajustes técnicos. A estimativa apresentada pela Prefeitura é de até 36 meses de obras após a assinatura do contrato, prazo que depende da conclusão do processo licitatório e da ordem de serviço.
Efeito nos moradores
Moradores de distritos como Grajaú, Cidade Dutra e bairros do entorno da Billings devem sentir os efeitos diretos da nova travessia.
A expectativa é aliviar a pressão sobre vias hoje saturadas, embora especialistas alertem para a necessidade de atenção ao desenho das interseções e à priorização do transporte coletivo para evitar o simples deslocamento dos congestionamentos.
Se confirmadas as projeções de redução no tempo de deslocamento, a Ponte Graúna-Gaivotas pode representar uma mudança estrutural na mobilidade da zona sul.
O desafio será garantir que a nova ligação funcione de forma equilibrada nos horários de maior demanda e produza ganhos reais para quem depende diariamente do sistema viário da região.
