As mudanças previstas no pacote de modernização do Lote Litoral Paulista vão se estender por quase uma década, com conclusão prevista para 2032.
O investimento de R$ 4,3 bilhões prevê duplicações, construção de marginais, passarelas, ciclovias e alargamento de pontes, entre outras melhorias. Porém, a execução em etapas significa que motoristas e moradores conviverão por anos com interdições, lentidão no tráfego e aumento de poeira em trechos de obras.
As obras prometem mais fluidez, segurança e infraestrutura nas rodovias que cortam a Baixada Santista, Alto Tietê e Vale do Ribeira, mas o cronograma prolongado levanta preocupações sobre os possíveis impactos nas regiões.
Por meio de uma nota, o Governo de São Paulo informou que a modernização das rodovias do litoral sul integra o Programa de Concessões Rodoviárias do Estado e foi planejada para ampliar a segurança, o conforto e a qualidade de vida da população da Baixada Santista.
Transtornos
Setores ligados ao turismo, como pousadas, restaurantes e comércio local temem que o fluxo de visitantes seja prejudicado em períodos de alta temporada, quando as obras podem gerar congestionamentos e dificultar o acesso às praias.
Wilian Vieira, que é dono de uma pousada na praia de Riviera de São Lourenço em Bertioga, conta que os turistas podem não sofrer tanto, mas os moradores sim. “A população local que sofre bem mais com as interdições diárias da obra”, conta.
Ele ainda complementa falando que o “congestionamento além do habitual sempre irá prejudicar de alguma forma o acesso à praia”.
Apesar disso, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de SP (SPI) diz que “o cronograma foi estruturado de forma a minimizar os impactos e oferecer mais conforto aos motoristas durante a execução das intervenções.”
O que dizem as prefeituras
A prefeitura de Santos informou que as obras de ampliação devem ter impactos a longo prazo, inclusive no setor de turismo. Apesar disso, explicou em nota que “mantém diálogo com o Governo do Estado para preservar os interesses da população da Área Continental da Cidade.”
A prefeitura de Itanhaém explicou que o turismo é um dos principais vetores da economia local, e que “qualquer obra deve preservar a fluidez do tráfego e o acesso à cidade”, mas não falou sobre os possíveis impactos na região.
Já a prefeitura de Praia Grande explicou “que não conta ainda com nenhum tipo de estudo sobre o impacto das obras na vinda de turistas para a cidade.”. Apesar disso, a administração municipal diz acompanhar a decisão pela instalação de novos pedágios na região e que a atual gestão é contra a instalação.
Em resposta a Gazeta, o secretário de Turismo e Cultura de Bertioga, Ney Carlos da Rocha, diz que as obras podem afetar, sim, o turismo:
“Considerando que turismo engloba as atividades realizadas por pessoas que se deslocam para fora do seu ambiente habitual por lazer, negócios ou outros motivos, fica claro que qualquer situação que afete este deslocamento, seja por que meio for, afeta o turismo.”
Apesar disso, ele diz que as empresas envolvidas nas obras de duplicação e manutenção estarão preparadas para executar os serviços sem causar muitos impactos.
A prefeitura de Peruíbe diz que as obras são de competência exclusiva do Governo de São Paulo e que confia “que todas as benfeitorias na estrada serão benéficas para a região e ajudarão a promover o desenvolvimento de todo o litoral.”
A prefeitura de Mongaguá disse acreditar nos benefícios a longo prazo, mas que estão “atentos aos possíveis impactos temporários que essas obras possam causar”. Em nota, explicaram que já é de conhecimento que eventuais congestionamentos e interdições parciais podem ocorrer durante a execução das intervenções.
“A Prefeitura de Mongaguá, por meio de suas secretarias competentes, está em diálogo constante com os órgãos responsáveis pelas obras para garantir que os transtornos sejam minimizados, principalmente durante feriados prolongados e férias escolares.”, disse.
Mesmo com os transtornos previstos, o governo paulista argumenta que as obras trarão benefícios duradouros, como maior segurança viária, redução do tempo de deslocamento e novas opções para ciclistas e pedestres. Até lá, a população terá de se adaptar a um cenário de mudanças constantes nas principais vias da região.
A concessionária Novo Litoral e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) afirmam que haverá planejamento para minimizar impactos, mantendo rotas alternativas e sinalização reforçada.
Divisão das obras
Com entregas divididas entre 2025 e 2032, as obras vão atingir diretamente o cotidiano de várias cidades:
- Bertioga: Marginais e duplicações nos trechos urbanos da SP-055, novas passarelas e retornos em desnível, além de ciclovias. Primeiras entregas previstas entre 2026 e 2027, com duplicações até 2032;
- Santos: Duplicação em trechos da SP-055, retornos em desnível, ajustes para pedestres e implantação de ciclovias. Conclusão entre 2027 e 2032;
- Praia Grande: Retornos em desnível, novas passarelas e marginais contínuas com calçamento e iluminação antes da cobrança de pedágio entre o município e Peruíbe. Obras principais entre 2026 e 2027;
- Mongaguá: Marginais contínuas, retornos em desnível, passarelas e passagens inferiores. Marginais e passarelas até 2027; passagens inferiores até 2029;
- Itanhaém: Marginais nos pontos mais movimentados, travessias seguras e ciclovias ao longo do município. Entregas de 2026 a 2029;
- Peruíbe: Duplicação de 89,8 km até Miracatu, marginais, passagens inferiores, ciclovia e melhorias no acesso SPA-344/055. Obras urbanas até 2029 e duplicações até 2032.
As obras pretendem gerar mais de 24 mil empregos diretos, indiretos e induzidos no Estado. De acordo com o Governo, até o momento, cerca de 700 colaboradores locais já foram contratados.
“Está previsto o repasse de R$ 55 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) aos municípios da região apenas nos primeiros cinco anos de concessão.”, escreve.
A concessão no modelo de Parceria Público-Privada prevê um investimento de R$ 4,3 bilhões para a reforma das estruturas e melhorias nas rodovias Padre Manuel da Nóbrega, Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga. O prazo previsto para ser efetuado é de 30 anos.
A SPI também assegura que as obras serão para melhoria nas regiões. “O objetivo é garantir um padrão mais seguro, moderno e funcional de circulação urbana e regional, sem comprometer o dia a dia dos moradores da Baixada.”
