Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña, tornou-se alvo de intensas críticas nas redes sociais após circular uma fotografia em que aparece vestindo uma camiseta com a frase impressa “Tax the Poor” (“Taxem os pobres”, em tradução livre).
A imagem, que mostra a jovem posando em frente ao espelho de uma academia, espalhou-se rapidamente pelas plataformas digitais, gerando forte rejeição por parte da opinião pública e de opositores políticos.
A postagem ocorreu em um momento de extrema sensibilidade institucional no país vizinho, amplificando o desgaste da imagem da família presidencial perante a população. Até o momento, não houve manifestações oficiais da jovem ou da família para esclarecer o contexto em que a fotografia foi tirada ou se a escolha da estampa teve algum teor irônico. Com a rápida repercussão negativa, perfis associados à estudante em redes sociais foram desativados.
Crise política no Paraguai e o avanço do impeachment de Peña
A polêmica com a vestimenta veio à tona no mesmo período em que o presidente Santiago Peña enfrenta o maior abalo de sua gestão. O governo paraguaio foi duramente atingido por uma grave crise no sistema financeiro, marcada pelo colapso de uma importante instituição bancária digital que deixou milhões de correntistas sem acesso aos próprios recursos, provocando protestos populares em Assunção.
Em resposta ao escândalo e às suspeitas de conflito de interesses ligadas a antigas participações acionárias do mandatário no setor financeiro, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment. Embora o presidente tenha anunciado a intenção de renunciar ao cargo, o Congresso Nacional seguiu com os trâmites constitucionais para a análise e votação do julgamento político no Senado, mantendo o cenário de instabilidade institucional no Paraguai em pleno ápice.
Quem é Santiago Peña
Santiago Peña Palacios, de 47 anos, é um economista e político paraguaio de orientação conservadora, filiado ao tradicional Partido Colorado. Ele foi eleito presidente do Paraguai em 2023 aos 44 anos, tornando-se o governante mais jovem a assumir o comando do Executivo no país desde a redemocratização em 1989.
Com formação em Economia pela Universidade Católica de Assunção e mestrado em Administração Pública pela Universidade Columbia, em Nova York, Peña construiu uma sólida trajetória técnica antes de ingressar na política partidária. Atuou no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, fez carreira no Banco Central do Paraguai e ocupou o cargo de ministro da Fazenda entre 2015 e 2017, durante a gestão do ex-presidente Horacio Cartes.
No campo ideológico, consolidou uma imagem de perfil técnico aliado a pautas morais e econômicas alinhadas à direita conservadora. Sua trajetória política ficou marcada pelo papel central no Partido Colorado e pela transição do meio acadêmico e financeiro para o mais alto posto do governo paraguaio, culminando em sua renúncia em meio ao colapso do sistema bancário ligado ao banco Ueno.
O que é e qual o papel do banco Ueno na crise
O banco digital Ueno (antigo Financiera Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez) era considerado uma das principais fintechs de crescimento rápido no Paraguai, acumulando cerca de 3 milhões de correntistas, em um país de aproximadamente 7,5 milhões de habitantes.
Além do grande volume de clientes individuais, a instituição privada mantinha sob sua custódia cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo repasses e fundos essenciais do Instituto de Previdência Social (IPS) paraguaio.
A trajetória da instituição e a origem da crise envolvem pontos centrais:
- Conexão política: o ex-presidente Santiago Peña foi acionista direto do grupo controlador da instituição até março de 2023, antes de assumir o comando do Executivo. A oposição e setores da sociedade acusaram seu governo de conflito de interesses, favorecimento e falta de fiscalização sobre as operações do banco.
- Abertura de liquidação: a crise estourou quando o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a liquidação e o encerramento das atividades do Ueno após constatar insuficiência grave de recursos para cobrir as obrigações da instituição. A autoridade monetária apontou a concessão de empréstimos irregulares e sem garantias para empresas vinculadas ao próprio grupo financeiro.
- Ações judiciais e bloqueios: após o anúncio do fechamento, a Procuradoria do Paraguai acusou formalmente dezenas de pessoas ligadas à administração do banco, emitindo mandados de prisão contra executivos e ordenando o congelamento e bloqueio de bens dos envolvidos.
- Impacto no sistema financeiro: o travamento dos fundos do Ueno gerou pânico bancário, filas históricas de correntistas em busca de saques e instabilidade temporária nos aplicativos de outras instituições financeiras do país devido ao alto volume de transferências de urgência.









