O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira (17/9) durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.
A operação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades do estado.
Entre os alvos está também o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), que não havia sido localizado pelos policiais durante o cumprimento do mandado nesta manhã.
Além de Levi, outro preso é Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e é candidato a deputado estadual, segundo as informações divulgadas sobre a operação.
A investigação aponta para uma possível atuação do PCC em 12 empresas de transporte coletivo de passageiros na capital, que seriam controladas direta ou indiretamente pela organização criminosa.
A apuração também investiga suspeitas de fraudes em licitações e relações entre integrantes da facção, empresários, políticos e agentes públicos.
Ex-presidente da SPTrans
Levi dos Santos Oliveira comandou a SPTrans em 2020, após ser indicado pelo então prefeito Bruno Covas.
Depois da morte de Covas e da posse de Ricardo Nunes como prefeito, Levi deixou a presidência da empresa e assumiu a então Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito.
Ele entrou na SPTrans em 1991, por meio de seleção pública da antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), e construiu carreira na área de planejamento.
Em janeiro de 2017, chegou ao cargo de diretor de Planejamento de Transporte da empresa.
Segundo a investigação, Levi não aparece como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como um dos personagens centrais do esquema. Os dois, porém, teriam mantido encontros periódicos.
De acordo com a apuração, essas reuniões estariam relacionadas a interesses da organização criminosa no setor de transporte, especialmente após a Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024.
Milton Leite é alvo de mandado de prisão
Milton Leite também é alvo da Operação Vectura Corrupta. Os policiais foram até a casa do ex-vereador para cumprir o mandado, mas não o encontraram.
Segundo informações apuradas pela Globo News, uma funcionária relatou aos policiais que Leite havia saído na noite anterior para um compromisso de campanha.
Ele afirmou que estava viajando para compromissos relacionados a campanhas eleitorais e que pretende se apresentar às autoridades. Leite também nega as acusações.
A investigação apura possíveis relações de Leite com empresas de ônibus suspeitas de ligação com o PCC.
O ex-vereador deixou a vida pública em 2024, após sete mandatos na Câmara Municipal de São Paulo. Ele também presidiu o Legislativo paulistano quatro vezes.
Atualmente, Leite é presidente do União Brasil na cidade de São Paulo. Em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada por União Brasil e Progressistas.
12 empresas de ônibus são investigadas
A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que, segundo os investigadores, seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC.
A lista inclui:
- Viação Transcap;
- Alfa Rodobus;
- Transwolff;
- A2 Transportes;
- Imperial Transportes;
- Move Bus;
- Pêssego Transportes;
- Allianz Transportes;
- Transunião;
- Qualibus Transportes;
- Norte Bus e
- Spencer Transportes.
Parte das empresas já havia aparecido em investigações anteriores sobre a atuação da organização criminosa no setor de transporte.
A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha. O então presidente da empresa, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, foi preso sob suspeita de ligação com a facção.
Nesta nova fase, os investigadores também analisam a atuação de outras empresas que passaram a operar linhas anteriormente administradas por companhias investigadas.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontam para uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público, com participação de integrantes e intermediários em empresas e processos de contratação.
Investigação também mira advogados
Outra frente da Operação Vectura Corrupta investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo que, segundo a Polícia Civil, seria formado por advogados que atuariam em benefício da organização criminosa.
Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.
Segundo os investigadores, escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades relacionadas aos interesses da facção.
O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e atuaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e integrantes da organização criminosa.
Operação é desdobramento de investigação de 2024
A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024. A investigação começou após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba.
A partir da análise do celular da mulher de um dos líderes da facção, os investigadores identificaram uma rede utilizada pelo PCC para manter comunicação entre integrantes.
A apuração levou às chamadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de suspeitas de infiltração da organização criminosa nas eleições municipais de 2024.
Em abril deste ano, a Operação Contaminatio deu continuidade às investigações e mirou uma fintech que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, seria utilizada pela facção em um projeto de aproximação e infiltração em administrações municipais.
Agora, a terceira fase avançou sobre a atuação do grupo no transporte coletivo e no financiamento de campanhas eleitorais.
As diligências desta quinta-feira ocorrem em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
