Mulher morta após abordagem policial em SP tem caso concluído e Corregedoria aponta indícios de homicídio doloso por soldado

Relatório encaminhado à Justiça Militar reúne imagens, depoimentos e laudos sobre a ocorrência que terminou com a morte de Thawanna Salmázio

Thawanna Salmázio, de 31 anos, deixou cinco filhos após a ocorrência registrada em abril.

Thawanna Salmázio, de 31 anos, deixou cinco filhos após a ocorrência registrada em abril. Foto: Reprodução/Redes sociais

A mulher morta após abordagem policial em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, teve o caso analisado pela Corregedoria da PM. O órgão concluiu que uma soldado teria agido com intenção de matar, segundo o relatório encaminhado à Justiça Militar.

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Corregedoria aponta homicídio doloso

A investigação da Polícia Militar indicou elementos para enquadrar o disparo como homicídio doloso qualificado. O relatório também afastou, na análise administrativa, a hipótese de legítima defesa apresentada para justificar a ação.

A conclusão considera provas reunidas durante o Inquérito Policial Militar. Entre elas estão imagens de câmera corporal, depoimentos e laudos periciais relacionados à ocorrência.

A soldado está afastada das atividades operacionais desde o episódio, em abril deste ano. O documento final foi encaminhado à Justiça Militar, que deverá analisar os elementos apresentados no procedimento.

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É importante destacar que a conclusão da Corregedoria não representa uma condenação criminal. A responsabilidade penal depende da análise das autoridades competentes e do devido processo legal.

O que a investigação analisou

O disparo atingiu Thawanna Salmázio, de 31 anos, na região do abdome. Ela morreu após ser encaminhada para atendimento médico.

O relatório avaliou se havia uma situação de risco que justificasse o emprego da força letal. Segundo a investigação, não foram identificados elementos suficientes para demonstrar esse risco no momento do tiro.

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A apuração também questionou a forma como a força foi empregada. O documento apontou falta de necessidade, inadequação e desproporcionalidade na ação analisada.

A legislação brasileira prevê a legítima defesa quando alguém utiliza moderadamente os meios necessários para impedir uma agressão injusta, atual ou iminente. A regra está no artigo 25 do Código Penal.

Imagens e versões foram confrontadas

As câmeras corporais tiveram papel importante na apuração. O material foi comparado com os depoimentos prestados pelos policiais envolvidos na ocorrência.

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A versão apresentada inicialmente pela defesa da ação indicava que Thawanna teria agredido a soldado durante a discussão. A policial afirmou que reagiu diante da situação.

O relatório, porém, registrou divergências entre os relatos e os demais elementos analisados. Uma testemunha apresentou uma versão diferente sobre o início do confronto físico.

A investigação também considerou que a soldado não utilizava câmera corporal durante a ocorrência. Apenas outro policial envolvido tinha imagens do momento registrado pelo equipamento.

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Caso ainda depende de análise judicial

Além da conduta atribuída à soldado, o procedimento apontou possível transgressão disciplinar envolvendo outro policial. Segundo o relatório, não foram encontrados indícios suficientes para responsabilizá-lo por crime militar ou comum.

O uso da força por policiais deve observar critérios como necessidade e proporcionalidade. Publicação da própria Polícia Militar de São Paulo também trata o emprego de arma de fogo como medida extrema, vinculada à proteção da vida.

O caso envolvendo a mulher morta após abordagem policial segue, portanto, com diferentes esferas de apuração. A Corregedoria apresentou sua conclusão administrativa, enquanto a análise judicial deverá considerar as provas e os argumentos das partes antes de qualquer decisão definitiva.