Policiais civis são presos suspeitos de cobrar 70% de cargas de eletrônicos em SP

Investigação aponta que agentes exigiam até 70% do valor das mercadorias para não apreender cargas de eletrônicos de origem irregular

Fotografia em plano superior focalizando o interior de uma caixa de papelão aberta repleta de maços de dinheiro em espécie. Na caixa, observam-se diversos bolos de cédulas do Real brasileiro — incluindo notas de R$ 10 (vermelhas), R$ 50 (marrons) e R$ 100 (azuis) — organizados e amarrados com elásticos de borracha e cintas de papel. Um dos maços de dez reais exibe uma etiqueta adesiva branca com identificação numérica

Policiais civis são alvo da Operação Merx, que investiga um esquema de cobrança de propina para liberar cargas de eletrônicos em São Paulo - Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Corregedoria Geral da Polícia Civil deflagraram, nesta sexta-feira (28/8), a Operação Merx, que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis da Grande São Paulo.

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A Justiça determinou a prisão preventiva de sete investigados e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Goiás. Até o momento, cinco dos sete alvos de prisão já foram presos.

Segundo as investigações, policiais exigiam pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor de cargas de aparelhos eletrônicos de origem estrangeira introduzidos irregularmente no país.

Em troca, os agentes deixariam de apreender toda a mercadoria ou devolveriam parte dos produtos aos responsáveis.

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Os valores identificados pela investigação chegam a aproximadamente R$ 2,35 milhões. O esquema teria ocorrido em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024.

Entre os sete alvos de prisão preventiva estão quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas apontadas como responsáveis pelo pagamento das vantagens indevidas.

Um dos investigadores não teve a prisão decretada, mas foi afastado do exercício da função pública. Ele também está proibido de manter contato com investigados e testemunhas e teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas.

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Como funcionava o esquema

De acordo com o MPSP, os policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e, em vez de realizar a apreensão integral dos produtos, negociavam a liberação total ou parcial da mercadoria.

Os pagamentos eram intermediados por um advogado investigado no caso. Segundo a apuração, ele negociava os valores com os policiais, indicava contas para os depósitos e orientava os envolvidos sobre quais quantias deveriam ser informadas às autoridades.

Mensagens analisadas pelos investigadores mostram que o dinheiro em espécie utilizado no esquema teria sido chamado de “caixinha da alegria” pelo advogado.

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A investigação aponta ainda que dependências da própria Polícia Civil teriam sido utilizadas para armazenar mercadorias e simular apreensões parciais, dando aparência de legalidade à atuação dos envolvidos.

Buscas em delegacias

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços de três unidades da Polícia Civil na Grande São Paulo: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia.

Os mandados também são cumpridos em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista.

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No Paraná, há diligências em Londrina e Foz do Iguaçu. Em Goiás, a operação ocorre em São Luís de Montes Belos.

A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos dos investigados e determinou o sequestro e o bloqueio de bens de até R$ 4 milhões.

Investigador é afastado

O investigador de 1ª classe Vagner de Lima, lotado no 2º Distrito Policial de Cotia, foi afastado da função, mas não teve a prisão decretada.

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Segundo a investigação, foram identificados 13 acessos feitos com o login funcional do policial ao sistema Muralha Paulista/Cortex. Os acessos estariam relacionados a um veículo posteriormente envolvido em um dos episódios investigados.

Os investigadores suspeitam que o sistema tenha sido utilizado para monitorar um caminhão ligado ao suposto esquema de corrupção.

Após o cumprimento dos mandados, a Corregedoria Geral da Polícia Civil realizou correições extraordinárias nas unidades policiais alvo da operação. A medida consiste em ações de fiscalização motivadas por suspeitas de irregularidades.

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A Operação Merx é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope).

Os investigados são apurados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.