A corrida milionária dos famosos que querem representar São Paulo em Brasília

Maior colégio eleitoral do país vira o principal palco para celebridades, com repasses que passam dos R$ 2,3 milhões para atrair o eleitor da capital e do interior

Veja os famosos que ganharam milhões dos partidos para disputar votos / Ilustração, IA

Partidos políticos destinaram milhões de reais do Fundo Eleitoral para campanhas de celebridades em São Paulo, com o objetivo de ampliar suas bancadas federais. Siglas como o PSD, Avante e PT concentram repasses públicos de até R$ 2,39 milhões por candidatura em nomes de grande apelo popular, como Silvia Abravanel e Manoel Gomes, transformando a fama em estratégia para impulsionar a votação da legenda no maior colégio eleitoral do país.

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A lógica financeira por trás dos rostos famosos 

Quem acompanha a propaganda na TV ou passa alguns minutos nas redes sociais nota o peso que esses rostos conhecidos ganharam na política. Só que o tamanho real dessa aposta só fica claro quando a gente abre as contas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral.

Para entender a dimensão disso, a lei diz que nenhum candidato a deputado federal pode gastar mais de R$ 3,17 milhões. Na prática, muitas dessas celebridades já entram na disputa com quase todo esse teto garantido pelos partidos, usando dinheiro público do fundo eleitoral.

A apresentadora Silvia Abravanel, por exemplo, lidera esse ranking. Em sua primeira vez disputando uma eleição, a herdeira do SBT ganhou R$ 2,39 milhões do PSD, o que cobre quase 75% de tudo o que ela tem permissão legal para gastar. É uma verba gigante, especialmente para quem declarou à Justiça ter um patrimônio pessoal de R$ 47,5 milhões.

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Essa lógica de irrigar campanhas com forte apelo digital se repete com outros nomes. O cantor Manoel Gomes, do hit “Caneta Azul”, mudou seu domicílio eleitoral do Maranhão para São Paulo após tentar uma vaga em 2022 e recebeu R$ 600 mil do Avante.

Logo atrás, o PT decidiu concentrar esforços em nomes que ficaram conhecidos em reality shows: o ator e ex-BBB Lucas Penteado faz sua estreia na política com R$ 300 mil na conta da campanha, enquanto o ex-deputado Jean Wyllys retorna ao tabuleiro eleitoral apoiado por um repasse de R$ 290 mil da legenda.

Por que o estado virou o alvo principal dos partidos?

A escolha da praça com maior número de eleitores para abrigar tantas candidaturas de apelo popular não acontece por acaso. Com 70 das 513 vagas da Câmara dos Deputados, o eleitorado local é o motor que define o tamanho das bancadas no Congresso Nacional.

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A tática das cúpulas partidárias é estritamente matemática: usar a visibilidade nacional dessas personalidades para atrair uma avalanche de votos. Pelo sistema proporcional do quociente eleitoral, os votos dados a uma celebridade ajudam a puxar outros candidatos menos conhecidos do mesmo partido, que jamais chegariam a Brasília por conta própria.

De onde vem a regra e como essa conta funciona?

A lei brasileira permite que a direção nacional de cada partido decida como vai dividir os R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral entre os seus candidatos. As únicas regras obrigatórias são separar pelo menos 30% da verba para mulheres e garantir o repasse proporcional para candidatos negros. O resto do dinheiro fica por conta da decisão do próprio partido.

Na prática, a escolha de onde colocar essa grana segue a lógica da estratégia das campanhas. Para os partidos, colocar dinheiro em quem todo mundo já conhece na TV ou na internet é um caminho para tentar conseguir mais votos de uma vez, ajudar a eleger outros nomes da mesma chapa e garantir espaço no Congresso.

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Por outro lado, essa diferença na divisão dos recursos também traz um debate importante sobre como o dinheiro público é usado na política. Enquanto uns veem essa prática como uma estratégia comum do jogo eleitoral, analistas e especialistas discutem se focar o dinheiro em famosos não acaba tirando o espaço de lideranças locais que têm menos recursos para fazer a campanha rodar.