Ex-secretária municipal de Cultura de São Paulo, Aline Torres vive um momento de transição política. Ela migrou do MDB para o PSD e, agora, anunciou a pré-candidatura a deputada estadual. Este pode ser o seu primeiro cargo no legislativo.
A mudança partidária, segundo ela, foi motivada pela busca de um espaço que privilegie o diálogo em um cenário nacional polarizado. Ela quer ficar longe do bolsonarismo e do lulismo.
“Sou uma radical de centro, uma eterna pessoa que quer construir o diálogo”, afirmou Aline em entrevista à TV GMG, destacando que o PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab, permite fazer política pública sem extremismos.
Para a política, o foco deve ser a resolução de problemas cotidianos da população, como iluminação e transporte, em vez de apenas levantar bandeiras ideológicas, apontou.
Legado na cultura
Durante sua passagem pela Secretaria de Cultura, Aline buscou imprimir uma marca de pertencimento e descentralização. Um de seus principais feitos, disse, foi levar a Virada Cultural para as periferias, retirando o foco exclusivo do centro da cidade.
Além disso, ela destacou a criação da Portaria 34, que facilitou a contratação de artistas periféricos ao desburocratizar o processo e estabelecer tabelas de cachês claras.
“Em vez de contratar um artista com cachê de R$ 200 mil, contratei 500 artistas por R$ 7 mil”, explicou.
Segundo ela, essa medida gerou um impacto econômico direto nas comunidades, permitindo que artistas que antes tocavam por valores irrisórios em bares tivessem acesso a notas fiscais e palcos oficiais.
Sobre o investimento público em cultura, Aline defendeu que há muita desinformação sobre o tema, em especial sobre a Lei Rouanet, ao dizer que o dinheiro arrecadado a partir de renuncia fiscal circula na economia, pagando técnicos, produtores e figurinistas.
Trajetória
Nascida em Pirituba, na periferia da zona noroeste de São Paulo, Aline se aproximou da política ao buscar soluções para o seu bairro. Depois, se aproximou do PSDB.
“Entrei na política porque sou uma pessoa da periferia, e a política pública faltava para mim”, destacou.
Aline Torres foi secretária de Cultura durante a primeira gestão Nunes/Yasmin Martildes/Gazeta de S.PauloComeçou pela juventude do PSDB, inspirada em nomes como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Bruno Covas. Formou-se em Relações Públicas, e é pós-graduada em gestão de projetos culturais.
Polêmicas e o ‘Samba da Cruz’
Questionada sobre casos sensíveis da cultura paulistana, como o Teatro de Contêiner e o Samba da Cruz, Aline enfatizou que a gestão pública exige responsabilidade e que “o grito não resolve”.
Disse que em ambos os casos faltou mais diálogo de ambos os lados, e que era possível a chegar a um meio termo válido para a gestão municipal dos artistas.
Sobre o clube Cruz da Esperança, localizado no Campo de Marte, ela detalhou que o imbróglio envolve a revitalização da área para a criação de um parque. A prefeitura pede a saída da instituição para possibilitar a criação da área verde.
Ela buscará a Alesp pelo PSD/Yasmin Martildes/Gazeta de S.PauloAline criticou a forma como alguns grupos tratam a questão como “guerrilha” e lamentou o uso político da situação por partidos de esquerda, mas também lamentou a possível saída do clube do local.
Eleições 2026
Após duas tentativas para ser vereadora, Aline agora buscará a Alesp. Ela disse que se lançará focada no diálogo e no poder da cultura, e quer marcar posição longe do bolsonarismo.
“A gente pode fazer política pública sem extremismo, mas se preocupando com a vida das pessoas”, completou.








