A Justiça de São Paulo determinou a reintegração de posse imediata de uma área de quase 15 mil m² ocupada desde 1958 pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança no Campo de Marte, zona norte de São Paulo. A prefeitura da Capital já assinou a concessão e pretende criar um parque público no local.
Na decisão, o juiz Bruno Santos Montenegro, da 9ª Vara da Fazenda Pública, afirmou que a entidade não possui qualquer direito sobre o terreno. A decisão abrange outros ocupantes não identificados eventualmente presentes no local.
Local onde ficará o Parque Campo de Marte/SecomO magistrado destacou ainda que a permanência da associação coloca em risco o cumprimento do contrato de concessão do Parque Campo de Marte, com possibilidade de prejuízos financeiros aos cofres públicos.
Já o Cruz da Esperança se disse alvo da especulação imobiliária e afirmou que buscará outras instâncias judiciais para manter a atuação no local.
“O Cruz da Esperança não é só um campo. Fundado em 1958, é um espaço histórico de samba, futebol de várzea e cultura popular da zona norte de São Paulo. Tudo foi construído pela comunidade com esforço coletivo, luta e pertencimento. Diante da especulação imobiliária, nós resistimos”, escreveu o clube, pelas redes sociais.
“Estão tentando apagar uma tradição de mais 65 anos. Defender o Cruz é defender a história e permanência do povo preto na cidade”, afirmou ainda.
Demolições autorizadas
Além de determinar a reintegração de posse, a Justiça autorizou a demolição das construções consideradas irregulares e o uso de força policial, se necessário, para garantir o cumprimento da ordem.
Segundo os autos, o clube foi notificado várias vezes para desocupar a área, mas recusou o recebimento de comunicações formais e ignorou tentativas de solução administrativa conduzidas pela Prefeitura.
Conforme a gestão municipal, o Cruz da Esperança chegou a participar de negociações para um modelo de gestão compartilhada dos campos de futebol de várzea previstos no futuro parque, mas abandonou o processo e se recusou a aderir ao acordo firmado com outras entidades.
Parque Campo de Marte
A área faz parte do projeto do Parque Municipal Campo de Marte, criado por decreto em 2024. Pela modelagem adotada, o terreno precisa ser entregue livre para o início das intervenções.
A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) afirmou que negociou com o clube para manter atividades esportivas dentro de regras e em espaço adequado, mas que o Cruz da Esperança recusou a proposta.
A prefeitura assinou a concessão com o Consórcio Cântaro SP no início do ano passado. O grupo tem os mesmos acionistas da Allegra, que já gerencia o Pacaembu.
O terreno tem aproximadamente 385 mil metros quadrados e fica lado da pista do Aeroporto Campo de Marte.
