A atriz e assessora de comunicação Luma Vidal revelou bastidores das eleições municipais de 2024, quando ela assessorou Pablo Marçal (então no PRTB, hoje no União Brasil) e esteve perto de uma série de episódios polêmicos.
Segundo a comunicadora, o empresário falou que provocaria Boulos sobre uma associação de uso de drogas nunca provada antes do primeiro encontro televisivo entre candidatos da Band, em agosto daquele ano, que historicamente abre os debates na cidade de São Paulo.
“Fui para casa dele para ensaiar a participação no debate, o que é normal, mas ele não ensaiou nada. A única coisa que soube é que ele faria essa provocação contra Boulos. Eu não acreditei que ele iria fazer”, explicou ainda.
A assessora afirmou que Marçal não inventou a história, mas que não tinha como provar. Não há até hoje, porém, qualquer prova de que o hoje ministro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tenha usado drogas.
Nas eleições de 2024, Luma assumiu a responsabilidade de assinar todos os regramentos e participar das reuniões de debates com os veículos de comunicação. Ela relatou que, embora o candidato se garantisse no improviso, seu papel era tentar enquadrar a expertise de Marçal no formato dos debates, ainda mais por aquele ser o primeiro de sua vida.
“Não era fácil. “Ele sempre fez o que quis”, lembrou.
A insinuação do empresário sobre Boulos usar drogas durou durante o primeiro turno, e teve o ápice quando faltavam dois dias do primeiro turno, quando o então candidato do PRTB divulgou um documento falso em vídeos nas redes sociais que atestaria que o psolista teria consumido drogas.
A Justiça Eleitoral reconheceu a falsidade no documento e determinou a remoção do conteúdo das plataformas Instagram, TikTok e Youtube.
A Gazeta entrou em contato com a assessoria de Boulos após a afirmação de Luma, e atualizará este texto caso receba resposta.
Cadeirada e soco
Um dos momentos mais marcantes foi o episódio da “cadeirada” desferida pelo adversário José Luiz Datena (então no PSDB) no debate da TV Cultura. Ela disse que depois do episódio violento, o debate continuaria normalmente, com Datena no estúdio, apesar de as regras garantirem que agressores precisam ser retirados da atração.
“A responsável pelo Datena sair do estúdio sou eu, porque eles não iam tirar o Datena do estúdio. Como participei de todos os regramentos, eu sabia o que estava escrito ali”, salientou.
Momento da cadeirada no debate da Cultura/Reprodução/TV CulturaJá sobre o soco dado pelo videomaker Nahuel Medina, da equipe de Marçal, no marqueteiro Duda Lima, de Nunes, durante o debate do Flow, Luma disse que o clima de animosidade que vinha desde a chegada ao evento, mas que o parceiro, de fato, passou do ponto.
“O erro de um não justifica o erro do outro, e Medina foi desproporcional, porém ambos erraram”, destacou.
Apesar das críticas ao comportamento do empresário, Luma Vidal mantém sua lealdade ao projeto político, afirmando enxergar verdade em Marçal. “O Pablo é uma pessoa bem intencionada. Eu vejo realmente verdade nele”.
Para o futuro, a expectativa da assessoria é que Marçal esteja apto para disputar as eleições de 2026 pelo União Brasil para o Senado ou para a Câmara dos Deputados.
Ela acredita que a Justiça torne o político apto para as eleições deste ano, já que ele está inelegível após decisões judiciais relacionadas às eleições 2024. “Você realmente acha que o União Brasil o convidaria se ele não pudesse de jeito nenhum disputar as eleições?”, finalizou.



