Autonomia: 65% dos brasileiros preferem não depender do governo, diz Datafolha

Pesquisa realizada em junho de 2026 aponta o maior índice de rejeição ao assistencialismo estatal desde o início da série histórica

A medida fortalece o consumo, estimula a economia local e reduz desigualdades regionais (Fotos: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

Rejeição à dependência do Estado caminha ao lado da busca por gerenciar a própria renda e pagar menos tributos. Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Uma pesquisa do Datafolha publicada na sexta-feira (3/7), aponta que 65% dos brasileiros preferem a autonomia individual ao recebimento de auxílios públicos. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios de todas as regiões do país. O resultado aponta o menor nível de preferência pela dependência de programas estatais desde o início da série histórica do instituto.

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Por outro lado, o grupo dos que avaliam que a vida melhora com o recebimento de mais benefícios do governo soma 31%. Os entrevistados que não souberam responder representam 4%. As entrevistas presenciais ocorreram entre 17 e 18 de junho de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Histórico da pesquisa 

O instituto mediu a opinião pública por meio de duas frases opostas. A afirmação “Quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida” obteve 65% de adesão. Já a tese de que “Quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida” foi a escolha de 31% dos cidadãos consultados.

O indicador é acompanhado desde 2013, ano em que o país registrou um empate exato, com 47% dos entrevistados em cada uma das opções. O desejo por independência financeira avançou nas medições de 2014, 2017 e 2022, impulsionado por crises econômicas, reformas na legislação trabalhista e previdenciária e pela expansão do empreendedorismo.

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Perfil dos entrevistados 

A análise mostra variações de acordo com o gênero e a localização geográfica. Entre os homens, o percentual dos que preferem distância do governo chega a 71%. No eleitorado feminino o índice fica em 59%, o que se explica pelo fato de as mulheres liderarem famílias que demandam serviços de saúde, creches e auxílios diretos.

Por região, a preferência por menos atuação do Estado é maior na região Sudeste, onde o índice atinge 70%. Especialistas apontam que a busca por menor dependência funciona como uma meta de estabilidade financeira e profissional, embora milhões de famílias ainda dependam de transferências de renda para fechar as contas mensais.

Mercado de trabalho 

Essa percepção de distanciamento do poder público reflete, em parte, o avanço do trabalho por conta própria no país. O movimento ganha força com a abertura de pequenos negócios individuais, tendência confirmada por indicadores oficiais que mostram que a maior parte dos negócios formalizados no território nacional opera sob a categoria de microempreendedor.

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Por outro lado, essa transição para a autonomia financeira esbarra em discussões jurídicas e de fiscalização sobre os formatos de contratação. O avanço das atividades independentes ocorre em um momento em que órgãos reguladores e o poder judiciário aumentam a fiscalização sobre contratos de prestação de serviços substitutos do vínculo empregatício.

Carga tributária 

O Datafolha aponta que a rejeição à dependência caminha em paralelo com a demanda pela redução da carga tributária, mesmo que isso resulte em serviços públicos menores. As respostas indicam que o trabalhador prefere gerenciar os próprios recursos a enviar valores maiores da renda para o orçamento do governo.