Girl Math: a ‘fórmula mágica’ do TikTok que faz compras parecerem de graça

Entenda a brincadeira viral que transforma gastos do dia a dia em contas curiosas, e faz muita gente se reconhecer nas redes sociais

De dinheiro "economizado" a compras "compensadas", descubra como funciona a matemática mais inusitada que conquistou o TikTok (Foto: Pexels)

De dinheiro "economizado" a compras "compensadas", descubra como funciona a matemática mais inusitada que conquistou o TikTok (Foto: Pexels)

Você já comprou alguma coisa e tentou encontrar uma justificativa para convencer a si mesma de que, no fim das contas, aquilo quase não custou nada? Essa é justamente a brincadeira por trás do chamado “girl math”, fenômeno que viralizou no TikTok.

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A expressão, que pode ser traduzida como “matemática de garota”, surgiu em vídeos humorísticos que apresentam uma maneira nada convencional de olhar para os gastos do dia a dia.

Como funciona o “girl’s math”?

A lógica é simples, e justamente por isso acabou sendo tão fácil de reconhecer.

Um dos exemplos é o de uma pessoa que normalmente gastaria R$ 20 por dia para almoçar, mas leva comida de casa. Pela “matemática”, os R$ 20 que não foram gastos se transformariam em uma espécie de dinheiro disponível para outra compra.

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Assim, uma corrida de Uber, um batom ou outro item do mesmo valor poderia ser encarado como uma compra “compensada”.

Mas essa brincadeira vai além. Na lógica dos vídeos, se uma compra é feita com dinheiro em espécie e não aparece imediatamente como débito na conta bancária, ela poderia até ser considerada “de graça”.

É justamente aí que o humor começa a encontrar uma questão mais séria.

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Por que tanta gente se identificou?

A quantidade de vídeos sobre o assunto chamou atenção justamente porque muitas mulheres não apenas entenderam a piada, mas também reconheceram hábitos próprios na chamada “girl math”.

O fenômeno ampliou uma conversa que vai além das compras: a relação com o dinheiro, o consumo e a maneira como as pessoas justificam pequenos gastos.

A brincadeira também levantou discussões sobre a relação histórica das mulheres com as finanças e sobre estereótipos relacionados à capacidade de administrar dinheiro.

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A piada também pode reforçar estereótipos

Embora os vídeos tenham caráter humorístico, a expressão também pode ser questionada quando transforma determinados comportamentos financeiros em algo supostamente ligado às mulheres.

Uma das preocupações é justamente criar justificativas para uma compra depois da outra, principalmente quando a pessoa sabe que aquele comportamento pode prejudicar suas próprias finanças.

Outro ponto envolve a relação histórica das mulheres com o dinheiro. Durante muito tempo, elas tiveram um papel mais associado ao cuidado e à administração da casa do que ao provimento financeiro.

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Mesmo com as mudanças sociais, essa construção pode ajudar a explicar sentimentos de culpa relacionados a gastar dinheiro consigo mesma.

Quando a brincadeira pode virar problema

O “girl math” pode parecer inofensivo enquanto está restrito aos vídeos engraçados. O problema aparece quando essa lógica passa a orientar decisões reais de consumo.

Encontrar uma justificativa criativa para uma compra não muda o valor que saiu do bolso.

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Antes de gastar, algumas perguntas podem ajudar, como se perguntar se você realmente precisa daquele produto? O valor estava previsto no orçamento? Houve pesquisa de preço? A promoção realmente representa uma economia?

O que entra na conta de verdade?

Uma organização financeira saudável também passa por diferenciar aquilo que é essencial do que não é. Isso significa estabelecer categorias de gastos e evitar flexibilizar essas regras a ponto de elas deixarem de representar a realidade.

Um almoço e uma blusa, por exemplo, podem custar exatamente o mesmo valor, mas não representam necessariamente o mesmo tipo de gasto dentro do orçamento.

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O preço pode ser igual, mas a função daquele dinheiro é diferente. E é justamente nessa diferença que a divertida “matemática” das redes sociais encontra a matemática que aparece de verdade na conta bancária.