A menos de oito meses das eleições de 2026, o pleito surge como o principal fator de volatilidade da economia brasileira. Em meio a déficit público pressionado e Selic elevada (15% em 2025), o choque entre desenvolvimentismo e rigor fiscal deve determinar o ritmo do PIB e a estabilidade da inflação nos próximos quatro anos.
Nos dias atuais, o país enfrenta um choque de visões econômicas. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a expansão de gastos sociais e o papel indutor do Estado; de outro, nomes da centro-direita, como Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, pautam suas plataformas em privatizações e incentivos fiscais.
O “Termômetro” do mercado: Selic e Ibovespa
Relatórios de instituições como Itaú e Bradesco sugerem que a sensibilidade dos ativos financeiros será imediata ao resultado das urnas. O panorama das projeções aponta caminhos distintos para os principais indicadores (Boletim Focus atual):
- Cenário Pró-Mercado: Analistas estimam possível redução gradual da taxa Selic para 11,5-12% ao fim de 2026 e valorização do real. O Ibovespa poderia registrar alta de até 15-20% pós-eleição, impulsionado por expectativa de abertura comercial.
- Cenário de Continuidade: A manutenção da atual política fiscal tende a pressionar o câmbio, com projeções de dólar a R$5,60 e inflação ~4,3%, movimento de aversão ao risco comparável ao ciclo de 2022
PIB e o papel do Congresso
A fragmentação do Congresso Nacional será decisiva para a governabilidade. O Banco Central (BC) —Focus: 1,8% — e a Organização das Nações Unidades (ONU) — 2,0% — projetam crescimento do PIB entre 1,6% e 2,0%, mas o desempenho dos setores deve variar conforme o grupo político que assumir o poder.
- Agronegócio: Mantém o protagonismo ao se beneficiar de agendas de desburocratização e manutenção do fluxo de exportações para China e EUA.
- Indústria: Pode registrar avanço em infraestrutura sob gestão liberal, mas o setor demonstra cautela quanto à possibilidade de restrições comerciais em um governo de esquerda
- Energia: O setor se divide entre duas visões. Enquanto a direita sinaliza foco em petróleo e exploração tradicional, a esquerda prioriza a transição para a economia verde e energias renováveis.
