Eduardo Paes diz que fará campanha para Lula, mas afirma: ‘não sou um vassalo’ após queixa do presidente

Candidato ao governo do Rio afirma que mantém gratidão e apoio ao petista, mas diz ter autonomia política e cobra mais articulação no estado

Eduardo Paes e Lula

Eduardo Paes diz que fará campanha para Lula, mas rejeita cobrança /Ricardo Stuckert

O candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) afirmou nesta quarta-feira (7/10) que fará campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Ao mesmo tempo, o ex-prefeito do Rio rejeitou a ideia de que deva seguir todas as posições do petista.

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Durante sua agenda na Rocinha, na zona sul do Rio, Paes afirmou:

Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula. Eu já disse: eu não sou do PT, eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula.

A declaração ocorreu após Lula demonstrar a aliados insatisfação com o empenho de Paes na campanha presidencial no estado. O petista terminou o primeiro turno no Rio atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que avançou para a segunda etapa da disputa presidencial.

Paes disse ainda que conversou com Lula na noite de terça-feira (6/10) e negou qualquer crise entre os dois. Segundo o candidato, as divergências fazem parte da relação política entre eles.

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Eu falei ontem à noite com o presidente Lula. Tem intrigueiro, tem ciúme. Eu também queria que todo mundo que votou no Lula votasse em mim. Teve gente que votou no [vereador Willian] Siri, teve gente que votou no cara do PCO, e eu não estou dando crise.

Candidato critica articulação de Lula no Rio

Questionado sobre o desempenho de Lula no estado, Paes atribuiu parte do resultado à falta de articulação política do governo federal no Rio de Janeiro. Ele destacou os investimentos realizados na Baixada Fluminense, mas disse que a atuação política não acompanhou os recursos destinados à região.

Ele fez R$ 20 bilhões de investimentos e ninguém reconhece o trabalho dele na Baixada [Fluminense]. […] Eu posso ter mil teses, o que eu vou dizer depois da eleição. Eu acho que faltou política aqui no estado do Rio de Janeiro. Comigo não, me ajudou para caramba, demais. Eu passei quatro anos no governo do Lula reconhecendo isso, levando ele pra agenda, inaugurando, fazendo coisa, defendendo o nome dele. Agora, se deu R$ 20 bilhões para a Baixada e articulação… Eu não era prefeito da Baixada.

A relação entre os dois ganhou tensão pública depois de Lula reclamar, na segunda-feira (5/10), da falta de apoio de Paes à sua candidatura. Na avaliação de aliados do presidente, o candidato ao governo fluminense evitou uma defesa mais enfática do petista durante a campanha.

Eduardo Paes, por sua vez, construiu alianças ao centro na disputa estadual e evitou um confronto direto com o bolsonarismo. No segundo turno pelo governo do Rio, ele enfrenta Douglas Ruas (PL).