Deputados campeões de votos da direita focam gastos de campanha no digital e esquerda investe em ‘santinhos’

Análise dos dados de prestação de contas de SP revela discrepância entre a verba para impulsionamento nas redes sociais e a compra de impressos

Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano destinaram mais recursos ao digital, enquanto Erika Hilton e Sâmia Bomfim gastaram mais com material gráfico /Reprodução/Facebook/Câmara dos Deputados/Reprodução/Instagram/Sâmia Bomfim/Wikimedia Commons

Os seis deputados mais votados de São Paulo em 2026 distribuíram o dinheiro da campanha de formas bem diferentes. Enquanto nomes da direita concentraram uma parcela maior dos recursos em redes sociais e impulsionamento, candidatos da esquerda direcionaram mais dinheiro para material gráfico, como santinhos e folhetos.

Continua após a publicidade

Entre os seis eleitos que ultrapassaram 500 mil votos, os maiores percentuais destinados ao ambiente digital aparecem nas campanhas de Lucas Pavanato (PL) e Eduarda Campopiano (PL). Já Erika Hilton (PSOL) e Sâmia Bomfim (PSOL) direcionaram parcelas maiores das despesas para materiais gráficos.

O grupo analisado reúne os quatro deputados federais e os dois deputados estaduais mais votados do Estado. Juntos, os seis têm mais de 18 milhões de seguidores no Instagram, uma das principais plataformas utilizadas durante a campanha.

Pavanato destinou metade da campanha ao digital

O maior volume de votos entre os deputados federais foi de Lucas Pavanato. Ele recebeu 3.038.438 votos e declarou R$ 2,7 milhões em despesas de campanha.

Continua após a publicidade

Desse total, aproximadamente R$ 1,35 milhão foi destinado a redes sociais e impulsionamento, o equivalente a 50% de todos os gastos. Outros R$ 352,5 mil foram utilizados na produção de material gráfico.

A estratégia também aparece na campanha de Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual com 1.956.238 votos. Ela declarou R$ 654,3 mil em despesas, dos quais R$ 400 mil foram destinados ao ambiente digital, correspondendo a 61,1% do total.

Campopiano gastou ainda R$ 75 mil com material gráfico.

Continua após a publicidade

Pavanato e Campopiano já tinham atuação como influenciadores antes de entrarem na política. Ele reúne cerca de 5,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto ela tem aproximadamente 2,5 milhões.

Erika Hilton e Sâmia priorizaram material impresso

A distribuição dos recursos foi diferente nas campanhas de Erika Hilton e Sâmia Bomfim.

Erika Hilton foi reeleita deputada federal com 1.596.383 votos e declarou R$ 1,63 milhão em despesas. Apenas R$ 188 mil, ou 11,5% do total, foram destinados a impulsionamento, estratégia digital e produção de conteúdo.

Continua após a publicidade

O material gráfico recebeu R$ 453 mil.

Sâmia Bomfim, também do PSOL, foi reeleita com 583.107 votos. Sua campanha custou R$ 1,98 milhão, sendo aproximadamente R$ 400 mil destinados à comunicação digital e ao impulsionamento.

A maior despesa, porém, foi com materiais impressos: R$ 775 mil, o equivalente a 39,2% dos gastos declarados.

Continua após a publicidade

Kim e Suplicy tiveram campanhas diferentes

A divisão foi mais equilibrada na campanha de Kim Kataguiri (Missão). Reeleito deputado federal com 520.071 votos, ele declarou R$ 469,2 mil em despesas.

O parlamentar gastou R$ 118,4 mil com impulsionamento digital e cerca de R$ 116 mil com material gráfico e serviços de postagem.

Já Eduardo Suplicy (PT) teve a campanha mais barata entre os seis nomes analisados. Reeleito deputado estadual com 654.627 votos, declarou R$ 97,9 mil em despesas.

Continua após a publicidade

Desse valor, R$ 30 mil foram destinados a ações digitais, enquanto apenas R$ 2 mil foram usados em serviços gráficos.

Gastos dos seis mais votados

CandidatoVotosGastos totaisRedes sociaisMaterial gráfico
Lucas Pavanato (PL)3.038.438R$ 2,70 miR$ 1,35 mi (50%)R$ 352,5 mil (13%)
Erika Hilton (PSOL)1.596.383R$ 1,63 miR$ 188 mil (11,5%)R$ 453 mil (27,8%)
Eduarda Campopiano (PL)1.956.238R$ 654,3 milR$ 400 mil (61,1%)R$ 75 mil (11,5%)
Sâmia Bomfim (PSOL)583.107R$ 1,98 miR$ 400 mil (20,2%)R$ 775 mil (39,2%)
Kim Kataguiri (Missão)520.071R$ 469,2 milR$ 118,4 mil (25,2%)R$ 116 mil (24,7%)
Eduardo Suplicy (PT)654.627R$ 97,9 milR$ 30 mil (30,6%)R$ 2 mil (2%)

Os dados são baseados nas prestações de contas de campanha entregues à Justiça Eleitoral. A comparação mostra que, entre os seis candidatos, os nomes da direita analisados destinaram proporcionalmente mais recursos às plataformas digitais, enquanto representantes da esquerda tiveram maior peso dos materiais impressos e santinhos em suas despesas.