Os seis deputados mais votados de São Paulo em 2026 distribuíram o dinheiro da campanha de formas bem diferentes. Enquanto nomes da direita concentraram uma parcela maior dos recursos em redes sociais e impulsionamento, candidatos da esquerda direcionaram mais dinheiro para material gráfico, como santinhos e folhetos.
Entre os seis eleitos que ultrapassaram 500 mil votos, os maiores percentuais destinados ao ambiente digital aparecem nas campanhas de Lucas Pavanato (PL) e Eduarda Campopiano (PL). Já Erika Hilton (PSOL) e Sâmia Bomfim (PSOL) direcionaram parcelas maiores das despesas para materiais gráficos.
O grupo analisado reúne os quatro deputados federais e os dois deputados estaduais mais votados do Estado. Juntos, os seis têm mais de 18 milhões de seguidores no Instagram, uma das principais plataformas utilizadas durante a campanha.
Pavanato destinou metade da campanha ao digital
O maior volume de votos entre os deputados federais foi de Lucas Pavanato. Ele recebeu 3.038.438 votos e declarou R$ 2,7 milhões em despesas de campanha.
Desse total, aproximadamente R$ 1,35 milhão foi destinado a redes sociais e impulsionamento, o equivalente a 50% de todos os gastos. Outros R$ 352,5 mil foram utilizados na produção de material gráfico.
A estratégia também aparece na campanha de Eduarda Campopiano, eleita deputada estadual com 1.956.238 votos. Ela declarou R$ 654,3 mil em despesas, dos quais R$ 400 mil foram destinados ao ambiente digital, correspondendo a 61,1% do total.
Campopiano gastou ainda R$ 75 mil com material gráfico.
Pavanato e Campopiano já tinham atuação como influenciadores antes de entrarem na política. Ele reúne cerca de 5,5 milhões de seguidores no Instagram, enquanto ela tem aproximadamente 2,5 milhões.
Erika Hilton e Sâmia priorizaram material impresso
A distribuição dos recursos foi diferente nas campanhas de Erika Hilton e Sâmia Bomfim.
Erika Hilton foi reeleita deputada federal com 1.596.383 votos e declarou R$ 1,63 milhão em despesas. Apenas R$ 188 mil, ou 11,5% do total, foram destinados a impulsionamento, estratégia digital e produção de conteúdo.
O material gráfico recebeu R$ 453 mil.
Sâmia Bomfim, também do PSOL, foi reeleita com 583.107 votos. Sua campanha custou R$ 1,98 milhão, sendo aproximadamente R$ 400 mil destinados à comunicação digital e ao impulsionamento.
A maior despesa, porém, foi com materiais impressos: R$ 775 mil, o equivalente a 39,2% dos gastos declarados.
Kim e Suplicy tiveram campanhas diferentes
A divisão foi mais equilibrada na campanha de Kim Kataguiri (Missão). Reeleito deputado federal com 520.071 votos, ele declarou R$ 469,2 mil em despesas.
O parlamentar gastou R$ 118,4 mil com impulsionamento digital e cerca de R$ 116 mil com material gráfico e serviços de postagem.
Já Eduardo Suplicy (PT) teve a campanha mais barata entre os seis nomes analisados. Reeleito deputado estadual com 654.627 votos, declarou R$ 97,9 mil em despesas.
Desse valor, R$ 30 mil foram destinados a ações digitais, enquanto apenas R$ 2 mil foram usados em serviços gráficos.
Gastos dos seis mais votados
| Candidato | Votos | Gastos totais | Redes sociais | Material gráfico |
|---|---|---|---|---|
| Lucas Pavanato (PL) | 3.038.438 | R$ 2,70 mi | R$ 1,35 mi (50%) | R$ 352,5 mil (13%) |
| Erika Hilton (PSOL) | 1.596.383 | R$ 1,63 mi | R$ 188 mil (11,5%) | R$ 453 mil (27,8%) |
| Eduarda Campopiano (PL) | 1.956.238 | R$ 654,3 mil | R$ 400 mil (61,1%) | R$ 75 mil (11,5%) |
| Sâmia Bomfim (PSOL) | 583.107 | R$ 1,98 mi | R$ 400 mil (20,2%) | R$ 775 mil (39,2%) |
| Kim Kataguiri (Missão) | 520.071 | R$ 469,2 mil | R$ 118,4 mil (25,2%) | R$ 116 mil (24,7%) |
| Eduardo Suplicy (PT) | 654.627 | R$ 97,9 mil | R$ 30 mil (30,6%) | R$ 2 mil (2%) |
Os dados são baseados nas prestações de contas de campanha entregues à Justiça Eleitoral. A comparação mostra que, entre os seis candidatos, os nomes da direita analisados destinaram proporcionalmente mais recursos às plataformas digitais, enquanto representantes da esquerda tiveram maior peso dos materiais impressos e santinhos em suas despesas.
