Deixar o carro ligado por vários minutos antes de sair de casa para “esquentar o motor” é um hábito que vem passando de geração em geração.
No entanto, os modelos atuais não necessitam da espera para que o motor possa atingir a temperatura ideal com o carro parado.
A orientação geral para veículos modernos é ligar o motor, esperar apenas o tempo necessário para os primeiros procedimentos antes de dirigir e sair sem acelerações fortes.
A recomendação, porém, pode variar conforme o veículo. Por isso, o manual do proprietário deve ser a referência em situações específicas.
De onde surgiu o hábito
A prática de deixar o carro funcionando antes de sair tem relação principalmente com os antigos motores carburados.
Nesses veículos, o sistema de alimentação dependia de mecanismos como o afogador para facilitar o funcionamento durante a partida a frio. O comportamento do motor também era mais sensível à temperatura.
Com a adoção da injeção eletrônica e de sistemas de gerenciamento eletrônico do motor, o funcionamento durante a partida a frio passou a ser controlado automaticamente por sensores e pela central eletrônica.
Isso permitiu que os motores modernos funcionassem de maneira mais estável logo após a partida, mesmo antes de atingirem a temperatura normal de operação.
A Consumer Reports apontam que o aquecimento prolongado com o veículo parado não é necessário nos carros modernos.
Tempo de aquecimento
Não existe um número universal de segundos que sirva para todos os carros.
Como referência, o Departamento de Energia dos Estados Unidos recomenda evitar a marcha lenta prolongada e informa que muitos fabricantes orientam sair suavemente após cerca de 30 segundos, mesmo em dias frios.
A Consumer Reports também indica que 20 a 30 segundos são suficientes para que o óleo seja rapidamente distribuído pelo motor após a partida.
Na prática, esse intervalo pode ser usado para colocar o cinto, ajustar os espelhos e conferir as condições para iniciar a condução.
Depois, o motorista pode sair normalmente, mas sem exigir muito do motor nos primeiros minutos. O manual do veículo deve prevalecer caso o fabricante estabeleça uma orientação diferente.
Motor esquenta mais rápido andando
Um dos principais motivos para evitar longos períodos de marcha lenta é que o motor atinge a temperatura de funcionamento mais rapidamente quando o carro está em movimento.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, dirigir ajuda o motor a chegar à temperatura ideal mais rápido do que deixá-lo parado.
O mesmo vale para o catalisador, componente responsável por reduzir parte das emissões do escapamento.
A recomendação, portanto, não é sair acelerando forte com o motor frio.
O ideal é dirigir de maneira moderada nos primeiros minutos, evitando acelerações intensas e rotações elevadas até que o conjunto atinja a temperatura normal de funcionamento.
Deixar o carro parado aumenta o consumo
Enquanto o veículo permanece ligado sem sair do lugar, o motor continua consumindo combustível sem produzir deslocamento.
O Departamento de Energia estima que veículos em marcha lenta normalmente consomem entre 0,25 e 1 galão de combustível por hora, dependendo das condições e do veículo.
A EPA também alerta que deixar o motor funcionando parado desperdiça combustível, aumenta as emissões e não é uma forma eficiente de aquecer a maioria dos veículos modernos.
Por isso, esperar cinco, dez ou mais minutos com o carro parado representa consumo sem que o veículo esteja efetivamente sendo utilizado para o deslocamento.
E em dias muito frios?
Temperaturas baixas continuam afetando o funcionamento do veículo.
O óleo fica mais viscoso em baixas temperaturas e a bateria também pode ter seu desempenho prejudicado.
Por isso, o frio pode dificultar a partida e aumentar o consumo durante os primeiros quilômetros.
Isso não significa, porém, que seja necessário manter o motor funcionando por vários minutos antes de sair.
A orientação geral continua sendo ligar o veículo, aguardar apenas o necessário e dirigir com suavidade.
Em situações específicas, como temperaturas extremamente baixas ou veículos com características particulares, a orientação do fabricante deve ser seguida.
O objetivo é permitir que motor, óleo, sistema de arrefecimento e demais componentes atinjam gradualmente a temperatura de funcionamento enquanto o veículo está sendo conduzido.
E se o carro estiver na garagem?
Há ainda uma questão de segurança. Nunca deixe um carro ligado dentro de uma garagem fechada ou parcialmente fechada, principalmente quando o espaço estiver ligado à residência.
O escapamento libera monóxido de carbono, um gás que não tem cor nem cheiro e pode se acumular em ambientes fechados.
O CDC orienta que veículos não sejam mantidos ligados dentro de garagens anexas à casa, mesmo com a porta aberta.
Além de não ser necessário para aquecer os carros atuais, manter o motor funcionando na garagem pode representar um risco à saúde.
