Ex-governador Ibaneis Rocha desiste do Senado e abre espaço para Michelle Bolsonaro em nova chapa 

A decisão do ex-governador desiste do Senado altera as articulações políticas e abre espaço para Michelle Bolsonaro em nova chapa majoritária

Cenário político nacional sofre alterações após mudanças nas articulações da chapa majoritária para as eleições de outubro. Renato Alves/Agência Brasil

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF) confirmou que está fora da disputa por uma vaga no Senado nas eleições de outubro. A decisão altera os rumos das composições majoritárias e abre espaço para a entrada de Michelle Bolsonaro (PL-DF) na chapa governista, movimentação que repercute nos partidos. Publicamente, a justificativa para o recuo foi uma escolha pessoal para focar na família e se afastar da vida pública.

Continua após a publicidade

Cenário eleitoral 

Nos bastidores, a desistência é atribuída ao isolamento político do ex-governador após investigações na cúpula do Banco de Brasília (BRB). Pesquisas internas de intenção de voto encomendadas pelo próprio MDB colocavam o político apenas na quarta colocação. Sem competitividade e com o avanço de antigos aliados, o grupo político que comanda o Palácio do Buriti preferiu reorganizar a disputa para o Legislativo federal.

Com o recuo, as duas vagas disponíveis para o Senado passaram a ser ocupadas pelas pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Ambas contam com o apoio da governadora Celina Leão (PP-DF). A composição consolidou o afastamento de antigos parceiros, que preferiram alinhar o discurso com o eleitorado conservador da capital para garantir sustentação política.

Crise financeira

Essa perda de apoio se intensificou quando Celina Leão assumiu o governo em definitivo, em março de 2026, e adotou uma postura de distanciamento das decisões financeiras anteriores. A governadora declarou publicamente ter herdado uma situação fiscal grave e criticou as indicações da liderança do banco estatal. Para conter a crise, Celina liderou a assinatura de um plano de resgate emergencial.

Continua após a publicidade

A operação foi firmada junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e garantiu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reestruturar a instituição financeira. O objetivo do pacote é dar estabilidade às contas públicas pelos próximos 15 anos, tentando solucionar o cenário de desvalorização das ações, já que as contas do BRB registraram forte instabilidade nos meses que marcaram o fim do período administrativo anterior.

Investigação da PF

Os problemas na instituição começaram em agosto de 2025, quando o então governador enviou em regime de urgência para a Câmara Legislativa um projeto para autorizar o BRB a comprar parte do Banco Master. A transação virou alvo de inquérito da Polícia Federal por suspeita de inflar carteiras de crédito sem lastro real. O caso resultou na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição indicado pelo antigo governo.

Com o avanço dos depoimentos e citações ao seu nome, o ex-governador se desligou do cargo em março de 2026 para tentar o Senado, deixando o Executivo local com o escândalo sem desfecho. A situação contrasta com o histórico do político, que governou entre 2019 e 2026. Advogado de formação, ele ganhou projeção ao presidir a OAB local e confirmou sua força nas urnas ao ser reeleito em primeiro turno em 2022.

Continua após a publicidade

Desgaste político

A instabilidade no segundo mandato começou em janeiro de 2023, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento temporário do governador por 90 dias para apurar suposta omissão nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Ao retomar o comando das funções públicas após o arquivamento do inquérito por falta de provas, o político avaliou que a medida temporária foi cumprida dentro da legalidade.

Apesar do desfecho jurídico favorável na ocasião, o episódio deu início a um desgaste prolongado com a base de apoio. O enfraquecimento das alianças políticas nos anos seguintes inviabilizou a sustentação partidária necessária para a campanha ao Legislativo, culminando na renúncia da candidatura para o pleito deste ano.