Flávio Bolsonaro avança em cidades do Bolsa Família e encurta vantagem do Lula

Dados das urnas mostram redução na vantagem histórica de Lula em municípios que tem mais beneficiário do programa de transferência de renda

Flávio Bolsonaro avança em cidades onde mais da metade da população recebe benefícios sociais / Joédson Alves/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A redução da vantagem de votos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos municípios com maior dependência do Bolsa Família marcou o resultado da eleição presidencial de 2026. O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas cidades em que mais da metade da população é beneficiária de programas de transferência de renda aponta para uma reconfiguração no comportamento do eleitorado de baixa renda, o que reduz a margem do Partido dos Trabalhadores (PT) mesmo após a concessão de reajustes no valor do benefício.

Continua após a publicidade

A ascensão política de Flávio Bolsonaro e o desempenho do Bolsa Família refletem uma mudança no comportamento eleitoral em bases antes consideradas inexpugnáveis pela esquerda. O avanço da oposição nas cidades mais dependentes do programa indica que a transferência de renda não determina, por si só, a escolha do eleitor e reforça a percepção do benefício como um direito social consolidado.

As eleições de 2026 registraram uma mudança no comportamento eleitoral entre os eleitores de baixa renda. Os números das eleições revelam que a ampliação dos valores pagos pelo programa social não se traduziu, nas urnas, em uma vantagem eleitoral proporcional nas cidades mais dependentes do Bolsa Família.

Reajustes no Bolsa Família não contêm avanço da oposição

A ligação entre Flávio Bolsonaro e o programa Bolsa Família revela a perda de eficácia das medidas assistenciais de última hora. Nem mesmo o anúncio do aumento do piso do benefício de R$ 600 para R$ 691, feito 17 dias antes do primeiro turno e elevando o benefício médio para R$ 777, impediu o avanço da oposição.

Continua após a publicidade

Segundo o cientista político Danilo Medeiros, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista ao UOL, a transferência de renda se consolidou na percepção pública como um direito social garantido por lei. Essa mudança de visão desvincula o benefício da obrigação de voto em um padrinho político específico, o que explica por que ampliações de valores do programa não se traduzem automaticamente em fidelidade nas urnas.

O professor explicou ao UOL:

O entendimento vai mudando de um simples benefício para um direito adquirido, conquistado. Ao mesmo tempo, isso não não impede que uma parcela desses beneficiários respondam na hora do voto, premiando aquele aqueles que trabalharam para esse direito

O cruzamento dos dados de votação por município com o volume de transferência de renda não permite afirmar que o recebimento do Bolsa Família determine a escolha do eleitor. Segundo o Núcleo de Dados Eleitorais (2026), a análise considera dados agregados em nível municipal e, por isso, não estabelece relação causal sobre a decisão individual na urna.

Continua após a publicidade

Avanço de Flávio Bolsonaro em cidades com alta de beneficiários

A vinculação de Flávio Bolsonaro e do programa Bolsa Família ganha força exatamente nos municípios onde pelo menos metade da população depende de transferências de renda estaduais e federais. Nas cidades dependentes do Bolsa Família, a fatia de votos de Luiz Inácio Lula da Silva encolheu de 71,5% para 68,7%, enquanto Flávio Bolsonaro saltou de 23,5% para 27,3% das preferências.

O eleitorado dessas localidades representou 14,4% de todos os votos válidos registrados no país. O avanço de Flávio Bolsonaro e Bolsa Família nesses territórios confirma uma tendência iniciada em 2018, enquanto as candidaturas de terceira via desidrataram completamente e caíram para meros 4%.

Comportamento do eleitorado nos grandes centros e cidades menos dependentes

A disputa de rumos para as eleições de 2026, entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula também agitou os municípios com menos de 25% de beneficiários do programa social, grupo que reúne a maior fatia do eleitorado brasileiro (59,1% dos votos válidos).

  • Flávio Bolsonaro (PL): conquistou 53,9% dos votos válidos nessas praças, superando o patamar de 50,3% obtido pelo pai em 2022 e retomando a liderança consolidada da direita no segmento.
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): registrou 37% dos votos válidos, ficando abaixo dos 40% obtidos no pleito anterior, porém mantendo-se acima do patamar histórico de 20,1% registrado pela legenda em 2018.

Veja a mansão que vai abrigar o próximo Presidente do Brasil