O portal “ICL Notícias” divulgou nesta quarta-feira (15/7) uma imagem em que o senador pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Mourão era considerado o hefe de uma milícia privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Ele se suicidou em 4 de março de 2026, enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Nas imagens divulgadas pelo ICL não é possível identificar o contexto em que a foto foi tirada. O portal afirma, no entanto, que “a imagem foi obtida por uma fonte que pediu sigilo à coluna e teria sido tirada em 2022, em um hotel na zona sul, no Rio de Janeiro”.

O que diz Flávio Bolsonaro
Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro diz que o senador “reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória”.
“Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial”, complementa a defesa.
O “Sicário” no caso Vorcaro
No caso que tomou conta do noticiário em março de 2026, “Sicário” não era uma descrição genérica. Era o apelido de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também referido como Felipe Mourão.
Ele era apontado pela Polícia Federal como o principal operador de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro na chamada Operação Compliance Zero.
Mourão era o coordenador de segurança de Vorcaro e o líder operacional de um grupo chamado “A Turma” — descrita pela PF como uma milícia privada criada para monitorar e intimidar adversários do banqueiro.
O que ele fazia na prática
A PF revelou que as atividades do “Sicário” iam muito além do que o apelido sugere. Entre as funções atribuídas a ele estavam:
- Monitorar jornalistas, ex-funcionários e adversários de Vorcaro
- Extrair ilegalmente dados em sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol
- Intimidar pessoas que faziam críticas públicas ao banqueiro
- Articular agressões físicas simuladas como “assaltos”
- Remover conteúdos críticos ao grupo em plataformas digitais
Segundo o portal Metrópoles, ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar todas essas funções.
A prisão e o desfecho
Mourão foi preso em março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero — a mesma ação que resultou também na detenção de Vorcaro.
Horas após ser detido, ele tentou tirar a própria vida dentro da cela da Superintendência da PF em Belo Horizonte.
Mourão foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII, na capital mineira. Segundo quatro fontes da PF ouvidas pelo SBT News, ele sofreu morte encefálica — condição legalmente reconhecida como morte no Brasil.
A defesa de Mourão, no entanto, negou que o protocolo de verificação de morte cerebral tivesse sido concluído, abrindo mais um capítulo de disputas em torno desse caso.
Por que o apelido “Sicário”?
No crime organizado, apelidos revelam função. “Sicário” indicava exatamente o papel de Mourão dentro do grupo: o executor — o homem que colocava as ordens em prática, inclusive as mais violentas.
Mourão tinha um histórico policial extenso antes do caso Master, com registros de estelionato, receptação e furto qualificado.
O caso ilustra como personagens extremos existem fora das telas — assim como episódios radicais que marcam a história, como o do homem mais radioativo do mundo, que sobreviveu por 83 dias após uma exposição devastadora. Situações assim mostram o quanto casos extremos estão mais próximos do cotidiano do que parecem.
