O governo de Goiás, agora sob o comando de Daniel Vilela (MDB), deu continuidade aos planos de revisar as normas ambientais que protegem a Chapada dos Veadeiros.
A Secretaria de Meio Ambiente (Semad) realizou oficinas técnicas nos dias 8 e 9 de maio para discutir o Plano de Manejo da APA de Pouso Alto, medida que pode abrir caminho para a mineração na região.
A iniciativa é um dos pilares estratégicos deixados por Ronaldo Caiado (PSD), que renunciou ao governo em março para disputar a Presidência da República.
Antes de sair, o ex-governador articulou um memorando com os Estados Unidos voltado para a extração de minerais estratégicos, o que gerou críticas do governo federal por suposta interferência em temas de soberania da União.
O acordo com os EUA
O memorando assinado por Caiado em 18 de março de 2026 prevê que Goiás se torne um fornecedor estratégico para o mercado norte-americano por 15 anos.
O potencial econômico é a principal estratégia da gestão estadual, estimativas indicam que a corrida pelas terras raras pode gerar 12 mil empregos no estado, argumento central para justificar a expansão da atividade.
As chamadas terras raras brasileiras são fundamentais para a fabricação de semicondutores e baterias de alta performance.
O interesse internacional ficou evidente em 20 de abril de 2026, apenas 33 dias após o memorando, quando a USA Rare Earth comprou a Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, a única mineradora de terras raras em operação no Brasil.
Impactos técnicos e riscos ambientais
Especialistas do Observatório do Clima e pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) apontam que a mineração desse tipo exige processos químicos que apresentam riscos para as nascentes do Cerrado.
A atividade pode causar a contaminação hídrica de rios que abastecem o Centro-Oeste, além de promover uma degradação da paisagem permanente em áreas consideradas Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Oficialmente, a Semad afirma que ainda não houve liberação de lavra e que as oficinas técnicas servem para avaliar os limites legais e os impactos potenciais.
O foco das discussões é encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento do setor primário e a proteção de um ecossistema que possui uma das maiores biodiversidades do mundo.
Tramitação e próximos passos
Após a conclusão das oficinas em Colinas do Sul, o processo seguirá para novas rodadas de consultas públicas oficiais.
O governo estadual deve consolidar as sugestões técnicas e apresentá-las à população local antes de qualquer alteração definitiva no Plano de Manejo da APA de Pouso Alto. A definição sobre a atividade mineral na Chapada dos Veadeiros permanece pendente dessas audiências.






