O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (2/7) o pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos para adiar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros até depois das eleições presidenciais de outubro.
Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que não há justificativa para a imposição das taxas e atribuiu à família Bolsonaro a responsabilidade pela possibilidade de um novo tarifaço contra o Brasil.
A manifestação de Lula ocorre um dia após Flávio encaminhar um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No texto, o parlamentar argumenta que a adoção imediata de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros poderia fortalecer politicamente o atual presidente em ano eleitoral e solicita que a medida seja adiada por 180 dias.
Ao reagir ao pedido, Lula classificou a iniciativa como um ato de “traidores da pátria”.
“O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, escreveu o presidente. Em seguida, acrescentou: “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.”
O presidente também afirmou considerar “inaceitável” que integrantes da família Bolsonaro defendam medidas que, segundo ele, submetem o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, classificando a postura como “entreguismo”.
Lula faz nova defesa do Pix
Na publicação, Lula ainda criticou declarações de Flávio Bolsonaro sobre o Mercosul, afirmando que enfraquecer o bloco representa um ataque aos interesses nacionais. O presidente também voltou a defender o Pix, alvo de questionamentos do governo norte-americano no âmbito da investigação comercial conduzida pelo USTR.
“O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, afirmou.
A troca de críticas ocorre em meio à investigação aberta pelo USTR com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que apura práticas brasileiras relacionadas a temas como comércio digital, tarifas, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e o sistema de pagamentos instantâneos Pix.
O processo pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros nas próximas semanas.
A recente decisão do governo de Donald Trump de enquadrar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais também acendeu um alerta sobre a modalidade de pagamento.
O Ministério da Fazenda ligou o sinal de alerta máximo, advertindo que a medida dos Estados Unidos cria uma insegurança jurídica sem precedentes e ameaça o funcionamento do Pix, o sistema de pagamentos mais popular do Brasil.
