O modelo de votação dos Estados Unidos e a segurança do sistema eleitoral brasileiro pautaram as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em solo europeu.
Em entrevista coletiva concedida após sua participação em solo francês na Cúpula do G7, já em Genebra, na Suíça, o chefe de Estado brasileiro traçou um paralelo entre a eficiência das apurações no Brasil e a complexidade do sistema norte-americano, desferindo uma provocação direta ao ex-presidente Donald Trump.
“Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil a ter eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Na próxima vez, vou levar uma urna eletrônica para mostrar para ele (Trump) como é que ela funciona”, declarou Lula.
Diálogo nos bastidores do G7
A ofensiva em defesa da tecnologia nacional começou horas antes, na França. Jornalistas que cobriam a reunião do G7 flagraram um diálogo descontraído do presidente brasileiro com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. No bastidor capturado pela imprensa local, Lula detalhou à dupla a velocidade com que o eleitorado do país conclui a votação.
“A eleição no Brasil é muito rápida. A eleição termina às 17h e às 19h já temos os resultados de 160 milhões de votos. Eu não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos outros países”, questionou o petista durante o bate-papo.
Histórico das urnas eletrônicas
Para rebater o ceticismo internacional e doméstico, Lula usou seu próprio histórico político de quase quatro décadas como argumento de idoneidade da tecnologia. O presidente enfatizou que o ecossistema eletrônico brasileiro registrou alternâncias de poder que afetaram diretamente sua carreira e seu partido.
“Eu fui o segundo em 1989, fui o segundo em 1994, fui o segundo em 1998. Aí eu fui o primeiro em 2002, o primeiro em 2006, o PT foi o primeiro em 2010, o primeiro em 2014, o segundo em 2018 e o primeiro agora em 2022, tudo pelo voto eletrônico”, afirmou.
Preparativos para as Eleições 2026
O discurso alinhado com a higidez das urnas ganha sustentação nas análises de bastidor do Poder Judiciário. Recentemente, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano de Azevedo Marques, ressaltou que o retrospecto das últimas eleições gerais no país sepultou os questionamentos técnicos.
Segundo o magistrado, o histórico recente funciona como uma validação definitiva da segurança do processo, tornando as desconfianças sobre o aparelho um tema do passado e sem nexo.
A mobilização ocorre em um momento estratégico. O Brasil acabou de celebrar os 30 anos de criação da urna eletrônica e está a pouco mais de três meses de distância das eleições de 2026.
Para consolidar a segurança do eleitorado que escolherá os novos mandatários e o próximo presidente do país, o TSE aposta na divulgação da série especial “30 anos da Urna Eletrônica”, desenvolvida pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom).





