Novo modelo permite escolher instrutor por nota e preço, mas falta de pedais duplos em carros autônomos preocupa autoridades; veja o que muda.
Cinco meses após a reformulação do sistema, que foi em maio de 2026, o processo para tirar a habilitação no Brasil ganhou ares de economia compartilhada.
Pelo app da CNH Digital, o aluno agora tem o poder de escolha: funciona como um “Uber da formação”, em que é possível filtrar instrutores por nota, preço e disponibilidade, quebrando o monopólio das agendas fixas das autoescolas.
Os dois lados da moeda
Apesar de a desburocratização ser uma realidade que injeta dinamismo e competitividade ao setor, permitindo que o instrutor autônomo atue sem exclusividade, essa “liberdade total” acende um alerta nas autoridades.
O grande receio é que a “uberização” do ensino desencadeie uma guerra de preços, transformando a habilitação em um processo superficial e acelerado, em que o foco se desvia da segurança e da direção defensiva para priorizar apenas a aprovação rápida no exame.
O “Ponto Cego” da Segurança
A polêmica central do novo modelo foca nas condições físicas do aprendizado, com especialistas alertando para a falta de obrigatoriedade do duplo comando nos veículos, o que compromete a segurança em situações de risco, e para os desafios na fiscalização de carros independentes.
Segundo apuração do G1, Egídio Neri Nunes, chefe da Divisão de Habilitação do Detran/RS, explica que o sistema ainda caminha a passos lentos: desde o início oficial em 10 de março, o estado conta com apenas 230 instrutores aptos a marcar exames práticos.
Um desses profissionais é Fabrício Kaefer, que, após uma década em CFCs, viu no modelo a chance de ser o próprio patrão, adaptando o veículo com identificação e pedais extras para garantir a qualidade do ensino e não sacrificar a segurança pública em prol da conveniência digital.
