OAB-SP quer vetar uso de jatinhos, limitar mandatos no STF e abrir CNJ para a sociedade

Medidas visam combater a percepção de privilégios e aproximar o sistema de Justiça da população; grupo propõe idade mínima de 50 anos para ministros

Relatório coordenado pela advocacia paulista propõe novas diretrizes de conduta e mandatos por tempo determinado na cúpula da Justiça brasileira. Foto: Wallace Martins/STF

Relatório coordenado pela advocacia paulista propõe novas diretrizes de conduta e mandatos por tempo determinado na cúpula da Justiça brasileira / Wallace Martins/STF

As barreiras entre a sociedade e as mais altas instâncias da Justiça brasileira tornaram-se o ponto central da proposta formulada pela Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário da OAB-SP. O projeto propõe alterações profundas nos hábitos, critérios de escolha e fiscalização dos magistrados que ocupam o topo do Judiciário nacional.

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Concluído sob a liderança do presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, o plano contou com a colaboração dos ex-presidentes Patrícia Vanzolini e Cezar Britto, dos juristas Maria Tereza Sadek, Oscar Vilhena Vieira e Alessandra Benedito, além de nomes que chefiaram o Ministério da Justiça, como José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior, e dos ex-ministros do STF Ellen Gracie e Cezar Peluso.

A reforma deve ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de ser apresentada para o Congresso Nacional e ao Conselho Federal da OAB (CFOAB).

Regras de conduta e maior exigência para ingresso

Para barrar episódios que afetam a imagem de imparcialidade dos julgamentos, o projeto detalha exigências éticas claras. A lista restritiva inclui a proibição do transporte em jatinhos particulares, o veto a posicionamentos de caráter político-partidário e impedimentos severos quando parentes de magistrados figurarem nas ações.

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No processo de escolha dos integrantes do STF, o relatório defende a elevação da idade mínima de 35 para 50 anos, sob o argumento de que a faixa atual não assegura a maturidade necessária para o cargo. O texto prevê ainda:

  • Participação social: audiências públicas antes da sabatina no Senado com a presença de faculdades de Direito e entidades civis;
  • Oxigenação: fixação de mandatos com duração máxima de 12 anos.

A reforma atinge diretamente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criticado pela distribuição dos seus 15 assentos, dos quais nove pertencem a juízes. Na visão da OAB-SP, esse desenho enfraquece a fiscalização externa e direciona o rigor disciplinar prioritariamente aos magistrados de primeira instância.

Outro ponto levantado é a duplicidade de liderança, na qual a mesma pessoa preside o Supremo e o órgão fiscalizador. A OAB-SP propõe a separação das funções e critica a edição abusiva de atos pelo conselho, foram 680 resoluções criadas desde 2005, defendendo o equilíbrio de atribuições e o envio de processos para todos os conselheiros, descentralizando o fluxo da Corregedoria.

“A sociedade mudou, e as instituições precisam ter capacidade de acompanhar essas transformações, modernizando-se sem perder sua independência e sua função essencial para a democracia”, ressaltou Leonardo Sica.