PEC do fim da escala 6×1 exclui parte dos trabalhadores; veja quem fica fora

Texto aprovado pela Câmara não valerá para profissionais com diploma superior e renda acima de R$ 21 mil mensais

Sessão deliberativa analisa processos por quebra de decoro que envolvem denúncias de agressão, ofensas em redes sociais e embates diretos entre as bancadas do PT, PL e Psol. (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

PEC aprovada pela Câmara reduz jornada semanal de trabalho e prevê fim da escala 6x1 - Cleia Viana/Câmara dos Deputados

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27/5), mas as novas regras não serão aplicadas a todos os trabalhadores brasileiros.

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O texto aprovado pelos deputados exclui profissionais com diploma de nível superior que recebam salário equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente em cerca de R$ 21,1 mil por mês.

Para esse grupo, não haverá aplicação das regras relacionadas à jornada de trabalho e controle de ponto. A proposta segue agora para análise do Senado Federal, onde ainda não há previsão para votação.

Quem fica fora da PEC

De acordo com o texto aprovado pela Câmara, a exclusão valerá para trabalhadores que atendam simultaneamente aos seguintes critérios:

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  • possuir diploma de nível superior;
  • receber remuneração acima de cerca de R$ 21,1 mil mensais.

Segundo parlamentares envolvidos nas negociações, a medida foi incluída sob o argumento de evitar o avanço da “pejotização” entre profissionais de alta renda e garantir maior liberdade contratual para cargos considerados estratégicos ou especializados.

O que muda para os demais trabalhadores

Para os demais empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a PEC estabelece redução gradual da carga horária semanal. O texto determina que a jornada máxima passará de 44 para 40 horas semanais em duas etapas:

redução inicial de duas horas em até dois meses após a promulgação; corte das duas horas restantes em até 12 meses depois da primeira mudança.

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Além disso, o fim da escala 6×1 entrará em vigor 60 dias após a promulgação da proposta, garantindo ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos.

Senado ainda deve discutir mudanças

Apesar da ampla aprovação na Câmara, a PEC ainda enfrenta resistência no Senado Federal. Interlocutores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avaliam que a tramitação não deverá ocorrer de forma acelerada.

A justificativa apresentada é que a Casa precisa discutir os impactos econômicos e trabalhistas antes de votar o texto em plenário.

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Outro ponto que ainda será definido é o modelo de tramitação da proposta. O Senado pode optar pela criação de uma comissão especial ou encaminhar o texto para análise das comissões temáticas antes da votação final.

Convenções coletivas podem perder validade

Um dos pontos que mais geraram debate durante a tramitação da PEC foi a regra que prevê a perda automática da validade de acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas jornadas de trabalho.

Pelo texto aprovado, isso ocorrerá 60 dias após a promulgação da proposta.

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A medida deve pressionar sindicatos patronais e trabalhistas a renegociarem contratos e regras internas para adaptação às novas exigências previstas na Constituição.

Próximos passos

Para entrar em vigor, a PEC ainda precisa ser aprovada pelo Senado Federal em dois turnos, com apoio mínimo de 49 senadores em cada votação.

Caso o texto seja alterado pelos senadores, a proposta retorna para nova análise da Câmara dos Deputados. Somente após a conclusão da tramitação no Congresso Nacional a emenda poderá ser promulgada e começar a produzir efeitos.