A data de 10 de julho marca a tradicional comemoração do Dia da Pizza. A clássica massa chegou ao Brasil no final do século XIX e início do século XX, trazida por imigrantes italianos, especialmente para a cidade de São Paulo.
Apesar de uma data para se comemorar, a pizza também tem um significado diferente no Brasil. Sempre que algo não termina como merecia de fato, o ditado popular diz que “isso terminou em pizza” ou simplesmente: não deu em nada.
Para relembrar alguns casos que não tiveram um desfecho esperado, a Gazeta relembra cinco escândalos que terminaram em pizza na política brasileira.
CPI do INSS
Criada para apurar desvios bilionários por meio de descontos irregulares em aposentadorias, sob a presidência do senador Carlos Viana (Podemos-MG), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou suas atividades sem a aprovação de um parecer final.
A comissão chamou atenção pelo alto volume de requerimentos, confusões e realização de dezenas de depoimentos.
O texto final, de autoria do relator Alfredo Gaspar (União-AL), foi rejeitado por 19 votos a 12, em março de 2026, com apoio do Centrão e da base do governo.
CPI das Bets
Instalada em novembro de 2024, a CPI das Bets foi uma Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado brasileiro que se encerrou em junho de 2025, quando o relatório final — que pedia o indiciamento de figuras como a influenciadora Virgínia Fonseca — foi rejeitado, terminando sem propostas legislativas ou novos indiciamentos.
Durante a sessão de votação, o relatório foi rejeitado, mas a relatora do caso, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), encaminhou as denúncias apuradas diretamente à Polícia Federal e ao Ministério Público.
O objetivo a comissão foi investigar a influência dos jogos de apostas on-line e cassinos virtuais no orçamento das famílias brasileiras, além de apurar possíveis vínculos com organizações criminosas e lavagem de dinheiro.
Orçamento secreto
Criado pelo Congresso Nacional em 2019 sob o nome de “emendas de relator”, o mecanismo apelidado de “orçamento secreto” permitiu que deputados e senadores destinassem bilhões de reais em verbas públicas sem a devida identificação dos autores das solicitações.
O dispositivo servia como moeda de troca para apoio político, viabilizando o direcionamento de grandes somas de dinheiro para bases eleitorais sem a exigência de critérios técnicos ou transparência.
Diante da falta de rastreabilidade dos recursos públicos, o sistema foi alvo de intensas críticas por parte da sociedade civil e de órgãos de controle, o que culminou em sua declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final de 2022.
Joias de Jair Bolsonaro
O chamado “caso das joias” apurou o suposto desvio de presentes de luxo ofertados por autoridades da Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O inquérito policial investigou a tentativa de entrada ilegal desses itens em território nacional, bem como a posterior comercialização irregular de algumas peças no exterior.
Em março de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento da investigação na esfera penal. O órgão apontou que há um vácuo legislativo, uma vez que não existe uma lei específica que defina com clareza se presentes recebidos de chefes de Estado configuram patrimônio público ou privado.
Diante do cenário, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a transferência da custódia das joias para a Receita Federal. A medida serve como rito preparatório para que as peças sejam formalmente incorporadas ao patrimônio da União.
CPI da Covid-19
Instaurada no Senado Federal em abril de 2021, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia teve como objetivo apurar as ações e omissões do Governo Federal na gestão Jair Bolsonaro (PL) no enfrentamento à Covid-19, além de desvios de verbas públicas e o consequente agravamento da crise sanitária.
O Relatório Final do colegiado, redigido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), foi aprovado em outubro do mesmo ano. Com cerca de 1.200 páginas, o documento recomendou o indiciamento de dezenas de pessoas — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros de Estado, médicos e empresários —, além de duas empresas.
Entre os crimes atribuídos aos investigados constam prevaricação, charlatanismo, infração de medida sanitária e epidemia com resultado de morte. As acusações fundamentaram-se no atraso deliberado para a compra de vacinas e na promoção de medicamentos sem eficácia científica comprovada.
