Romário abre mão de salário de R$ 46 mil no Senado para trabalhar na Copa do Mundo

Decisão foi tomada após críticas sobre o ex-jogador conciliar a atividade de comentarista com o mandato; presidente do Senado defendeu o parlamentar

Em meio à repercussão sobre sua participação na CazéTV durante a Copa do Mundo, Romário oficializou a renúncia temporária ao salário de senador / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pressionado por críticas sobre conciliar o mandato com o trabalho na Copa do Mundo, o senador Romário (PL-RJ) decidiu abrir mão do salário de R$ 46 mil durante o torneio. O ex-craque está cobrindo nos Estados Unidos como comentarista e colunista, o que gerou questionamentos nos bastidores de Brasília.

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Em meio ao desgaste, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu publicamente a postura do colega de plenário.

No pronunciamento, Romário informou que encaminhou um ofício à Presidência do Senado solicitando a suspensão do pagamento de seus vencimentos enquanto estiver nos Estados Unidos.

“Voluntariamente, abri mão do meu salário por todo o período em que estarei acompanhando a Copa. Não receberei salário, desde o primeiro dia da Copa. O que for pago, será devolvido aos cofres públicos”, disse Romário.

Alcolumbre critica ataques contra Romário na Copa

Após a manifestação de Romário, Davi Alcolumbre saiu em defesa do senador e afirmou que o colega tem sido alvo de críticas excessivas. O presidente do Senado disse que a decisão de renunciar ao salário foi uma iniciativa pessoal e lamentou o que classificou como um ambiente de agressões na política.

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“Vossa Excelência tomou uma decisão pessoal, individual, sobre a devolução do salário e está honrando o Brasil como sempre honrou, como nosso ídolo, nosso campeão da Copa do Mundo, e como senador reeleito pelo Rio de Janeiro. É isso que está acontecendo na política do Brasil. As agressões são tantas e tamanhas, que estão forçando um colega senador, participando ativamente de um episódio mundial, a falar no microfone que está abrindo mão de qualquer remuneração para devolver aos cofres públicos”, afirmou Alcolumbre.

Romário diz que permanecerá no mandato para votar contra a escala 6×1

Durante o discurso, o senador explicou que optou por não solicitar licença do cargo para garantir sua participação na votação da PEC 221/2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.

Segundo Romário, o sistema de votação remota permitirá acompanhar as sessões e registrar o voto mesmo durante sua permanência no exterior. Ele afirmou que assumiu o compromisso de apoiar a proposta e, por isso, decidiu continuar formalmente no exercício do mandato enquanto participa da cobertura da Copa do Mundo.

“Votarei pelo fim da escala 6×1. O dia da votação ainda não foi marcado. Pelo compromisso que assumi de votar favoravelmente a essa matéria é que decidi não tirar licença no Senado no período em que estou acompanhando a Copa do Mundo. A tecnologia moderna permite que eu me conecte por vídeo, como estou fazendo agora, e dê o meu voto”, declarou o parlamentar.

A posição representa uma mudança em relação ao posicionamento anterior do parlamentar. Romário havia assinado inicialmente a PEC 12/2026, apresentada pela oposição e conhecida como “PEC da Escala 7×0”. Após a repercussão negativa e articulações políticas, retirou a assinatura e passou a apoiar a proposta que prevê o fim da jornada 6×1.

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Senado ainda não confirmou suspensão do pagamento

Até o momento, a Mesa Diretora do Senado não informou oficialmente se o ofício mencionado por Romário já foi recebido e processado. Também não houve confirmação sobre os procedimentos administrativos para suspender temporariamente a remuneração ou sobre a eventual devolução de valores que venham a ser pagos durante sua permanência no exterior.