A Polícia Federal (PF) cumpre um mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta quarta-feira (28/10), um dia após o parlamentar deixar o Brasil, apesar de uma determinação judicial que o proibia de viajar para o exterior.
Os investigadores procuram na mansão do senador em Brasília, documentos e equipamentos eletrônicos que possam contribuir para uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo inquérito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deu aval ao cumprimento do mandado.
As buscas acontecem depois que Flávio Bolsonaro descumpriu o prazo determinado pela Justiça para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após decisão de Moraes
O senador deixou o território brasileiro na noite de terça-feira (27/10), acompanhado da esposa e das duas filhas, utilizando a fronteira com a Argentina.
Segundo autoridades migratórias argentinas, o grupo entrou no país às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú.
Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. Na manhã desta quarta-feira, o voo seguiu viagem com destino aos Estados Unidos.
A aeronave decolou do Equador às 6h22, no horário de Brasília, com previsão de chegada ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, por volta das 10h40.
O governo americano havia anunciado na terça-feira que concederia vistos ao senador e a seus familiares, permitindo a entrada nos Estados Unidos.
Senador descumpriu ordem de entregar passaportes
Na segunda-feira (26/10), Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o Brasil.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura possíveis irregularidades financeiras envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.
Flávio deveria apresentar os documentos até terça-feira (27/10), mas não cumpriu a determinação. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros do senador.
A saída do Brasil ocorreu dois dias após Flávio ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Investigação apura relação com casas de apostas
O inquérito conduzido por Alexandre de Moraes investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
Durante a análise de informações telemáticas do advogado, a Polícia Federal identificou e-mails indicando que o senador havia sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente a Tomaz.
Segundo os investigadores, essa condição poderia permitir acesso elevado à movimentação e ao gerenciamento da conta.
A apuração também identificou possíveis vínculos financeiros entre empresas ligadas ao advogado e o setor de apostas esportivas.
Entre os negócios investigados está a Rede Loto, empresa que recebeu autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para explorar apostas esportivas de cota fixa.
A Polícia Federal busca esclarecer se Flávio Bolsonaro possuía participação ou influência nos negócios investigados. O senador e o advogado negam irregularidades e afirmam manter uma relação de amizade.
Flávio também é investigado por financiamento de filme
Além da investigação relacionada às casas de apostas, Flávio Bolsonaro é alvo de outro inquérito no STF.
Sob relatoria do ministro André Mendonça, a apuração investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações incluem repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção audiovisual.
A Polícia Federal apura se houve prática de crimes nas operações financeiras relacionadas ao projeto. As investigações ainda estão em andamento e não representam uma condenação do senador.







