Wilson Witzel promete ‘guerra às facções’, ataca a Alerj e faz aceno ao bolsonarismo em entrevista exclusiva à Gazeta

Em vídeo, pré-candidato do Democrata detalha plano radical de segurança, expõe rombo nos cofres do RJ e projeta as Eleições de 2026

Ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em entrevista à Gazeta de S.Paulo

Pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Witzel se defendeu de acusações de fraude e definiu impeachment como interesse político dos adversários / Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

O cenário político fluminense, planos de guerra contra facções criminosas e os bastidores do seu polêmico processo de impeachment foram o centro de uma entrevista exclusiva do ex-governador Wilson Witzel ao programa Direto da Gazeta, da TV GMG e Gazeta de S.Paulo.

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Atual pré-candidato ao governo do estado pelo partido Democrata (antigo PMB), o ex-magistrado não poupou nomes, números nem acusações ao fazer um raio-X completo das crises institucional, econômica e de segurança pública do Rio de Janeiro.

Legenda partidária, mandato ‘antissistema’ e o isolamento político no RJ

Ao explicar sua filiação ao partido Democrata, presidido por Sued Haidar, Wilson Witzel relembrou sua trajetória em 2018, quando venceu a eleição pelo PSC. Segundo o ex-juiz federal, sua postura “antissistema” e a recusa em aparelhar secretarias e batalhões com indicações parlamentares provocaram a fúria da classe política.

Ele argumenta que a dificuldade atual em obter legenda em siglas tradicionais decorre justamente de sua postura combativa. Para Witzel, os partidos tradicionais não estão preparados para “encarar uma gestão técnica e sem barganha de cargos”.

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Denúncias contra a Alerj: narcotráfico, jogo do bicho e a operação ‘Cadeia Velha’

Ao comparar o panorama eleitoral de 2018 com o cenário atual para as Eleições 2026, Witzel afirmou que a contaminação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) atingiu níveis sem precedentes.

O pré-candidato citou a prisão do deputado Rodrigo Bacellar em presídio federal sob acusações de envolvimento com o Comando Vermelho. Relembrou ainda declaração recente do ministro Gilmar Mendes, do STF, de que metade da Assembleia estaria ligada ao jogo do bicho e a bicheiros investigados na Operação Unha e Carne.

‘Fui retirado para que roubassem’: a defesa contra o impeachment e o rombo bilionário

Wilson Witzel deixou o Palácio da Guanabara após sofreu um processo de impeachment. Na entrevista, ele declarou que não houve qualquer desvio de verbas durante a pandemia de Covid-19 em sua gestão. Ele destacou que suas contas foram aprovadas e que jamais foi preso, declarando-se ficha limpa.

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“Até hoje ninguém conseguiu provar [desvio] porque não houve. Todos os respiradores, tudo que foi comprado, foi comprado no momento em que todos os preços não estavam normais. Os hospitais de campanha, tudo isso, nada disso teve desvio. Muito pelo contrário, está tudo aprovado pelo Tribunal de Contas. Minhas contas foram aprovadas pela Assembleia Legislativa, mesmo depois que eles me tiraram”, argumentou. 

O ex-governador afirmou que o processo no tribunal misto julgou apenas um ato administrativo legal e que a narrativa de desvio teria sido criada pela imprensa e por adversários para enfraquecê-lo.

“Eu fui retirado do governo para que roubassem, mas no meu governo não teve roubalheira”, disparou.

Ele apontou que, após a sua destituição, R$ 22 bilhões arrecadados com a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro(Cedae) “foram para o ralo”, culminando no déficit orçamentário atual de R$ 13 bilhões.

Ex-governador comenta situação inédita do estado com mandato tampão

Apesar de criticar a paralisia e a falta de um plano de governo de longo prazo no Palácio Guanabara, Witzel elogiou a atuação administrativa do governador interino, o desembargador Ricardo Couto.

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Ele assumiu o cargo em março deste ano e deveria ficar até que um novo pleito fosse realizado, o que acabou não ocorrendo.

O pré-candidato explicou que a grande vantagem de Couto é estar “blindado pelo Supremo Tribunal Federal”, permitindo-lhe demitir funcionários fantasmas e cancelar contratos superfaturados sem prestar satisfações ou ceder a pressões da Alerj.

Ele contrastou esse momento com a gestão do ex-governador Cláudio Castro (sucessor de Witzel), a quem acusou de ter virado “refém da Assembleia Legislativa” por falta de sustentação própria e medo de sofrer o mesmo destino.

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Como Wilson Witzel pretende declarar guerra ao crime

No campo da segurança pública — sua principal bandeira desde a época em que atuava como juiz federal —, Witzel argumenta que o trabalho tradicional de inteligência e combate à lavagem de dinheiro não é mais suficiente.

“Hoje há sim a implantação de domínio de território e você só retoma território com a guerra”.

Ele denuncia uma expansão agressiva das milícias, que estariam criando um complexo sob cobrança de taxas em condomínios que se estende do Recreio dos Bandeirantes até Santa Cruz, na zona oeste da capital.

Para reverter esse quadro, o pré-candidato defende a alteração constitucional para que governadores tenham autonomia jurídica para declarar estado de guerra contra o crime organizado.

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Nesse modelo, a Polícia Militar atuaria como força armada, sem restrições do Código de Processo Penal ou horários para incursões, com a missão direta de neutralizar criminosos portando fuzis, metralhadoras ou granadas.

Além disso, Witzel propôs que integrantes de facções declaradas terroristas percam a nacionalidade brasileira e cumpram pena em presídios internacionais de segurança máxima, mencionando expressamente Guantánamo.

“É fácil mudar isso na Constituição. Perder a nacionalidade brasileira e cumprir pena em qualquer lugar do mundo, inclusive em Guantanamo, que é lugar de terrorista”, defendeu.

Soberania nacional e cooperação com inteligência estrangeira

Ao comentar a decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, Witzel elogiou a decisão de Donaldo Trump e rebateu alertas do governo federal sobre um eventual risco de invasão militar americana.

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Qualificando o discurso de atentado à soberania como “uma aberração política”, ele ressaltou sua experiência como ex-oficial da Marinha para explicar a inviabilidade de ações de infantaria em morros e favelas sem anos de planejamento.

Por outro lado, o pré-candidato defendeu parcerias táticas e o intercâmbio de inteligência entre as forças de segurança estaduais com órgãos americanos como a CIA e a DEA (agência de repressão às drogas dos EUA) para asfixiar o financiamento externo do narcotráfico.

Política nacional: aceno a Jair Bolsonaro e defesa de anistia política

Embora alegue ter mantido uma relação estritamente política com a família Bolsonaro no passado, Wilson Witzel aproveitou a entrevista para fazer um aceno pragmático ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao senador Flávio, pré-candidato à presidente.

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Em outro aceno ao bolsonarismo, o ex-governador defendeu a anistia aos presos das manifestações de 8 de janeiro de 2023, falando em “pacificação do País” e citando decisões legislativas pós-1964.

Ataques aos rivais em 2026: críticas duras a Garotinho e Douglas Ruas

Analisando a corrida ao Palácio Guanabara em 2026, Witzel previu uma disputa marcada por ataques pessoais, argumentando que seus oponentes carecem de projetos consistentes para o futuro.

Ele mencionou o ex-governador Anthony Garotinho, afirmando que, embora o respeite, o político vive de “lembrar o passado” e denúncias, sem apresentar soluções para as dívidas do estado.

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O ataque mais duro foi direcionado a Douglas Ruas (PL), ex-secretário das Cidades e candidato do Flávio Bolsonaro no estado. Witzel acusou o rival de inoperância durante sua passagem pelo governo.

“Passou cinco anos como secretário das Cidades, levou R$ 2 bilhões e nós não sabemos onde foi parar esse dinheiro”.

Witzel evitou citações diretas ao ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do estado que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Plano econômico de Witzel: R$ 50 bilhões em investimentos e 500 mil empregos

Finalizando a apresentação de suas propostas, o pré-candidato do partido Democrata destacou seu plano de desenvolvimento econômico disponibilizado no site oficial da pré-campanha.

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A meta central de sua eventual gestão consiste na injeção de R$ 50 bilhões na economia fluminense por meio do Banco de Desenvolvimento do Estado, visando a geração de 500 mil novos empregos diretos.

Witzel garantiu ao eleitorado que manterá a postura de “tolerância zero” na segurança e de reestruturação fiscal.