Beber água demais pode fazer mal: estudo mostra que a necessidade varia de pessoa para pessoa

Pesquisa indica que a regra dos 2 litros ignora idade, rotina, clima e alimentação

Exagerar na hidratação pode causar desequilíbrios; especialistas defendem ouvir mais o corpo

Exagerar na hidratação pode causar desequilíbrios; especialistas defendem ouvir mais o corpo | (Foto: Freepik)

Durante muito tempo, beber muita água foi tratado quase como uma regra universal de saúde, e para quem começa uma estratégia de emagrecimento ou decide “cuidar mais do corpo”, andar com uma garrafa na mão o dia inteiro vira rotina.

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Mas a ciência vem mostrando que essa lógica do “quanto mais, melhor” nem sempre funciona, e, pode até atrapalhar, dependendo do caso. 

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A ideia de que todos precisam consumir 2 litros de água por dia ignora um detalhe importante: cada organismo funciona de um jeito diferente.

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Idade, alimentação, clima, nível de atividade física e até o tamanho do corpo mudam bastante essa conta.

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Quando beber demais vira problema

O excesso de água pode levar a uma condição chamada hiponatremia, que acontece quando o sódio no sangue fica diluído demais.

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Isso sobrecarrega os rins e pode causar sintomas como dor de cabeça, náusea, inchaço, confusão mental e, em situações mais graves, complicações sérias.

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Na prática, o corpo tem um limite para a quantidade de água que consegue processar em um certo período de tempo.

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Forçar a ingestão além da necessidade real pode criar um desequilíbrio no organismo, em vez de trazer benefícios.

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O que a ciência diz sobre hidratação

Um grande estudo publicado na revista Science analisou dados de mais de 5.600 pessoas em diferentes países e faixas etárias, medindo a chamada “renovação hídrica”.

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Ou seja, quanto de água o corpo usa e repõe ao longo do dia.

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O trabalho foi liderado pelo fisiologista John Speakman, da Universidade de Aberdeen, e mostrou que a necessidade diária varia muito mais do que se imaginava.

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Em muitas rotinas comuns, a média fica em torno de 1,5 a 1,8 litros por dia, somando água, outras bebidas e a água que vem dos alimentos.

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Em dias quentes, com exercício intenso ou trabalho físico pesado, esse número pode subir bastante.

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A água também vem do prato

Outro ponto importante é que hidratação não depende só do copo: frutas, verduras, legumes e sopas têm alto teor de água e entram na conta diária.

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Isso significa que duas pessoas com hábitos parecidos podem precisar de quantidades diferentes de água “pura”, dependendo do que comem.

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Quem tem uma alimentação rica em alimentos naturais e úmidos, por exemplo, muitas vezes já cobre uma parte significativa da necessidade hídrica sem perceber.

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Escutar o corpo ainda é o melhor guia

Em vez de seguir metas rígidas, é recomendável usar a sede como principal sinal. Para a maioria das pessoas saudáveis, ela é um alarme bastante eficiente.

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A cor da urina também pode ajudar: tons mais claros geralmente indicam hidratação adequada, embora isso possa variar com dieta e suplementos.

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A mensagem principal não é “beber menos água”, e sim beber na medida certa para você.

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Para quem tem problemas renais, cardíacos ou usa diuréticos, a orientação é sempre conversar com um profissional de saúde antes de mudar os hábitos de ingestão de líquidos.