Canetas emagrecedoras ganham espaço, mas não substituem dieta e exercício

Especialista do Hospital IGESP alerta para uso responsável e reforça que mudança de hábitos é essencial para manter o peso a longo prazo

Canetas emagrecedoras ganharam popularidade no Brasil, mas exigem prescrição médica e acompanhamento profissional.

Canetas emagrecedoras ganharam popularidade no Brasil, mas exigem prescrição médica e acompanhamento profissional. | Freepik

O uso das chamadas canetas emagrecedoras colocou os injetáveis para perda de peso no centro do debate sobre obesidade. Embora ajudem a reduzir o apetite, especialistas afirmam que a medicação não substitui alimentação equilibrada e atividade física.

Esses fármacos atuam na regulação hormonal da saciedade e no esvaziamento gástrico. Com isso, a pessoa tende a consumir menos calorias e sentir plenitude por mais tempo após as refeições.

Indicados para casos específicos, esses fármacos atuam em hormônios ligados à saciedade e ao esvaziamento gástrico, ajudando a reduzir a ingestão calórica. Ao sinalizar ao sistema nervoso central que o organismo está satisfeito, prolongam a saciedade após as refeições.

Dados e estudos científicos

Segundo o Ipsos Health Service Report 2025, 58% dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar das canetas, reflexo da rápida popularização do tema.

Dados da Anvisa mostram que 32,25% das notificações de eventos adversos relacionados à semaglutida no país envolvem uso fora das indicações aprovadas em bula.

O percentual é cerca de três vezes superior ao observado na base global da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital IGESP, o cenário reforça a necessidade de prescrição criteriosa e acompanhamento médico contínuo.

Como as canetas atuam no organismo

Segundo o especialista, os medicamentos reduzem o apetite ao modular vias hormonais associadas à fome e à saciedade. Com menor ingestão de alimentos, o paciente tende a alcançar déficit calórico, condição essencial para a perda de peso.

No entanto, a simples redução do apetite não garante qualidade nutricional adequada. Sem orientação, a dieta pode se tornar pobre em proteínas, fibras e micronutrientes essenciais.

Esse desequilíbrio favorece a perda de massa muscular, reduz o gasto energético basal e pode dificultar a manutenção do peso no longo prazo.

Alimentação e exercício seguem como base

Durante o tratamento, recomenda-se priorizar proteínas magras, verduras, legumes e frutas ricas em fibras.Carboidratos complexos, como arroz integral e aveia, e fontes de gorduras boas também devem integrar o plano alimentar.

A prática regular de atividade física é considerada outro pilar indispensável. O exercício ajuda a preservar e ganhar massa muscular, aumenta o gasto energético total e melhora a sensibilidade à insulina.

Além disso, reduz o risco de desaceleração metabólica e contribui para a saúde cardiovascular e o bem-estar psicológico. Segundo Bottoni, as canetas devem ser encaradas como ferramenta complementar dentro de uma abordagem integrada.

A combinação entre medicação, reeducação alimentar, atividade física e mudanças comportamentais é apontada como fundamental para resultados sustentáveis e promoção ampla da saúde.