Quando o assunto é a manutenção de uma boa saúde, o frango é geralmente indicado como a melhor proteína. A sua baixa quantidade de gordura e a riqueza em outros nutrientes fazem com que ele se sobressaia em relação às outras carnes, sobretudo a bovina.
Entretanto, um estudo recente conduzido nos Estados Unidos trouxe resultados que questionam este contexto.
A pesquisa, publicada na revista científica Current Developments in Nutrition, demonstrou que o consumo de carne vermelha magra não apresenta diferenças significativas quanto à elevação de açúcar no sangue e ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, quando comparado ao consumo de frango.
A falta de diferença entre carne bovina e frango
O estudo foi realizado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Indiana University Bloomington e do Instituto de Tecnologia de Illinois. A equipe analisou o quadro clínico de 24 adultos com pré-diabetes, sendo 70% do grupo composto por homens.
Ao longo de um mês, os participantes ingeriram todos os dias carne vermelha magra. Posteriormente, os alimentos bovinos foram substituídos por frango.
As dietas incluíram pratos como hambúrgueres, fajitas, burritos, ensopados e refogados. Os experimentos não utilizaram carnes ultraprocessadas, ou seja, alimentos como bacon, linguiças e frios não foram levados em consideração.
Ao fim de cada período de observação, os cientistas mediram o nível de açúcar no sangue, a resposta à insulina, a função pancreática e a ação das células beta pancreáticas, que funcionam como um marcador para a progressão do diabetes tipo 2.
Com a conclusão da análise, os pesquisadores não observaram nenhuma alteração importante em relação a esses indicadores médicos. Esse resultado leva a crer que ambos os tipos de carnes podem ter impactos semelhantes quando se fala em bem-estar e risco à saúde metabólica.
Limitações e controvérsias da pesquisa
Apesar dos resultados encontrados, especialistas da área de nutrição que não participaram do estudo enfatizam alguns pontos de atenção. Eles mostram que o assunto abordado nesta pesquisa deve ser mais investigado pela ciência:
- É necessário realizar estudos a longo prazo para determinar se esses resultados podem ser adotados como recomendações médicas oficiais;
- Uma amostra de participantes mais equilibrada entre homens e mulheres pode ser determinante para obter conclusões diferentes;
- O estudo foi financiado pela National Cattlemen’s Beef Association, uma organização ligada à criação e comercialização de gado. Embora não existam indícios diretos de conflito de interesses, pesquisadores independentes apontam a necessidade de trabalhos mais imparciais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A carne vermelha causa diabetes?
O consumo frequente de carnes vermelhas com muita gordura e carnes ultraprocessadas é associado a um maior risco de desenvolver diabetes. No entanto, o estudo recente sugere que cortes bovinos magros podem ter um impacto semelhante ao do frango no controle do açúcar no sangue.
2. Qual é a carne mais saudável: frango ou carne de boi?
Tradicionalmente, o peito de frango sem pele é considerado mais saudável por ter menos gordura saturada. Porém, pesquisas atuais indicam que cortes magros de carne bovina, quando inseridos em uma dieta equilibrada, podem não apresentar desvantagens metabólicas em relação ao frango.
3. Quem tem pré-diabetes pode comer carne vermelha?
Sim, desde que a escolha seja por cortes magros, sem excesso de gordura, e o preparo evite frituras. O acompanhamento com um nutricionista é fundamental para adequar a porção ideal para cada paciente.
4. Carnes processadas como bacon e linguiça fizeram parte do estudo?
Não. A pesquisa avaliou estritamente o impacto do consumo de carne vermelha magra e de frango fresco. Alimentos embutidos e ultraprocessados foram totalmente excluídos das dietas dos participantes.
5. O que são as células beta pancreáticas citadas na pesquisa?
São células localizadas no pâncreas responsáveis por produzir e liberar a insulina, o hormônio que controla a quantidade de açúcar no sangue. O bom funcionamento dessas células é um marcador essencial para monitorar o avanço do diabetes tipo 2.



