Muito se fala sobre a importância de tomar água potável. Afinal, beber água não tratada pode provocar uma série de doenças, como cólera, diarreia infecciosa e até hepatite A.
Mas você sabia que existe uma água 100% pura que, de tão limpa, pode ser tóxica para o organismo humano?
Fique calmo: não se trata de uma água natural, que você pode acidentalmente beber na torneira de casa, mas sim de um produto produzido em laboratório.
O mais curioso é que, do ponto de vista químico, a água que bebemos diariamente está longe de ser totalmente pura.
Em São Paulo, por exemplo, propostas que envolvem o uso de água de esgoto tratada no sistema de abastecimento estão cada vez mais em alta. Mas esse não é o caso da água ultrapura.
Quais são as diferenças entre as duas substâncias?
Tanto a água potável quanto a ultrapura possuem a mesma fórmula, H²O, formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. A diferença não está na molécula em si, mas no que vem dissolvido nela.
A água potável contém diversos íons e minerais, como cálcio, magnésio, potássio e ferro, essenciais para o funcionamento do corpo.
Já a água ultrapura passa por processos extremos de purificação, como destilação, deionização e osmose reversa avançada, que removem quase todas essas substâncias.
Como a água ultrapura pode impactar a saúde humana?
Por ser quimicamente “vazia”, a água ultrapura tende a captar íons do ambiente ao redor. No organismo, isso pode significar a retirada de pequenas quantidades de minerais das células, um processo conhecido como lixiviação.
Além disso, o consumo prolongado desse tipo de água pode levar a um desequilíbrio eletrolítico. Com o tempo, podem surgir sintomas como dor de cabeça, fadiga, náuseas e fraqueza muscular, resultado da falta de sais minerais no corpo.
Se faz mal, por que ela existe?
Apesar de não ser própria para o consumo, a água ultrapura é amplamente utilizada em processos industriais e laboratoriais, como na fabricação de chips para computadores e na esterilização e limpeza de equipamentos médicos e farmacêuticos.
Por causa dos processos complexos de purificação, ela costuma ser bem mais cara do que a água potável.
Dependendo do grau de pureza, da marca e do método utilizado, o litro pode custar entre R$ 85,00 e R$ 400.


