Filhos de Chernobyl herdam mutações no DNA dos pais

Primeira prova científica de herança genética da radiação em sobreviventes do pior acidente nuclear da história

DNA marcado pela história: estudo revela mutações genéticas extras em filhos de trabalhadores expostos à radiação de Chernobyl.

DNA marcado pela história: estudo revela mutações genéticas extras em filhos de trabalhadores expostos à radiação de Chernobyl. | Freepik

Estudo recente comprova que filhos de trabalhadores de Chernobyl carregam mutações genéticas extras no DNA, transmitidas pelos pais expostos à radiação em 1986. Essas alterações agrupadas funcionam como assinatura do acidante nuclear, sem causar doenças graves.

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O acidente de Chernobyl ocorreu quando uma explosão no reator liberou grande quantidade de material radioativo. O desastre, causado por falhas humanas e técnicas, contaminou áreas da Europa e é considerado o maior acidente nuclear da história.

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A catástrofe forçou a evacuação de mais de 100 mil pessoas e criou uma zona de exclusão permanente, que segue parcialmente inabitável quase 40 anos depois devido à radiação.

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O estudo que mudou tudo

Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, analisaram o genoma de 130 filhos de liquidadores que atuavam em Chernobyl. Encontraram mutações nos filhos, mas não presentes nos pais, agrupadas de forma incomum.

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Os pesquisadores compararam com filhos de operadores de radar alemão expostos a radiação. O grupo controle mostrou números bem menores. “Encontramos um aumento significativo na mutação genética nos descendentes de pais irradiados.” 

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Embora muitas dessas mutações não resultem necessariamente em doenças imediatas, especialistas alertam que elas podem aumentar o risco de problemas de saúde ao longo da vida, como certos tipos de câncer e distúrbios metabólicos.

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Como a radiação quebra o DNA

A quebra acontece ao transferir energia suficiente para alterar a estrutura química da molécula que carrega as informações genéticas. Quando partículas ou ondas de alta energia atingem as células, elas podem romper as ligações que mantêm unidas.

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Esses danos podem surgir de forma direta, ao atingir o DNA, ou indireta, quando a radiação reage com a água presente na célula e gera radicais livres altamente reativos.

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Se a célula não consegue reparar corretamente essas quebras, podem ocorrer mutações, falhas no funcionamento celular ou até o desenvolvimento de doenças.

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Primeira comprovação científica

Estudos anteriores davam inconclusivos. Este é o primeiro a sequenciar genomas completos de três grupos comparáveis.

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Análise estatística confirmou diferenças mesmo após ajustes por ruído nos dados. Dose de radiação correlaciona diretamente com número de mutações.

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Resultados aplicam-se a sobreviventes da usina de Fukushima e Hiroshima. Mostram que radiação deixa legado genético transgeracional. Governos monitoram essas populações. Ajuda prever riscos em acidentes nucleares futuros. 

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Dúvidas Frequentes

Quantos liquidadores afetados?
600 mil pessoas atuaram na limpeza. Este estudo analisou 130 descendentes representativos.

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As mutações causam câncer nos filhos?
Não há evidência disso. São alterações pequenas, tipo assinatura genética, sem impacto clínico detectado.