O ministro Alexandre Padilha afirmou que quase 300 mil pessoas se autoexcluíram de plataformas de apostas online após identificarem comportamento compulsivo. A declaração aconteceu em entrevista concedida ao Bastidores CNN nesta sexta-feira (27/2).
Os dados foram coletados entre o último mês de dezembro e fim de janeiro, por meio do Observatório Brasil de Saúde e Apostas Eletrônicas, criado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Fazenda.
Padilha destacou que as apostas online podem representar um grave problema de saúde pública no Brasil. “É aquela coisa da compulsão da pessoa começar a jogar de um jeito que agrava a situação financeira, depois entra em depressão, situações de suicídio, destruição familiar.”
O ministro ainda pontuou que o vício pode gerar uma condição conhecida como “ludopatia”, já reconhecida como uma doença.
Combate à compulsão em jogos
O Observatório Brasil de Saúde e Apostas Eletrônicas, estabelecido em dezembro de 2025, possibilita monitorar o comportamento individual dos apostadores.
A plataforma fornece ao usuário um autoteste padronizado internacionalmente para identificar sinais de compulsão e a possibilidade de autoexclusão de plataformas de apostas.
Segundo Padilha, esta opção permite que o apostador pare de receber propagandas e chamadas de empresas, interrompendo o ciclo de dependência.
O Ministério da Saúde planeja a implementação de um serviço de teleatendimento a partir do mês de março para pessoas com comportamento compulsivo.
“O que a gente percebeu? Que dificilmente essa pessoa procura um serviço de saúde. A gente tem registrado, em 2025, menos de 10 mil atendimentos nos serviços de saúde, mesmo nos CAPS, porque a pessoa não procura esses lugares”, afirmou Padilha.
A nova medida abrirá um canal direto do apostador com psicólogos e psiquiatras sem necessidade de deslocamento a unidades de saúde, facilitando o primeiro estágio do tratamento. Ainda de acordo com o ministro, essa abordagem busca combater a estigmatização e a vergonha, fatores esses que impedem que dependentes procurem ajuda.
