O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma cirurgia de catarata nesta sexta-feira (30/1) em Brasília. O procedimento é considerado simples e está entre os mais realizados no Brasil, com grande procura também no SUS.
A catarata acontece quando o cristalino, a “lente natural” do olho, fica opaco e causa perda progressiva da visão. O tratamento é cirúrgico, e costuma ser indicado quando a condição começa a atrapalhar tarefas do dia a dia.
O tema volta e meia ganha destaque porque a catarata é frequente com o avanço da idade e pode surgir de forma lenta, quase imperceptível. Entender o que acontece no olho ajuda a reconhecer sinais e a buscar avaliação no momento certo.
O que é catarata
A catarata ocorre quando o cristalino, que funciona como uma lente natural nos olhos, começa a ficar opaco. Essa alteração faz com que a visão fique embaçada, com perda de nitidez e, em alguns casos, visão dupla.
O histórico familiar pode aumentar a tendência ao desenvolvimento da doença. O tratamento passa a ser indicado quando a catarata começa a atrapalhar atividades do dia a dia, como ler, dirigir ou reconhecer rostos.
“O olho humano tem uma lente natural chamada cristalina. Esse cristalino, com o passar dos anos, vai perdendo a sua capacidade funcional. Primeiro, com menor contratilidade. É quando as pessoas precisam usar óculos para perto. Ao mesmo tempo, a sua transparência vai sendo afetada. E no momento em que isto acaba prejudicando as condições de vida, ele tem que ser substituído”, explica o médico Claudio Lottenberg ao portal g1.
Em geral, a catarata não “some” com colírios ou exercícios. A visão pode até parecer variar de um dia para outro, mas a opacidade do cristalino tende a progredir, o que reforça a importância de acompanhamento com especialista.
Se a dúvida é quando procurar ajuda, alguns sinais entram como alerta de rotina. A Gazeta Mais já explicou como saber quando preciso ir ao Oftalmologista e quais sintomas costumam merecer avaliação.
Existem diferentes tipos de catarata
Existem diferentes tipos de catarata. A mais comum é a senil, relacionada ao avanço da idade. Ela costuma aparecer aos poucos e se torna mais evidente quando o paciente percebe mais dificuldade para enxergar com nitidez.
Há também a catarata congênita, que surge logo no nascimento e pode estar associada a infecções intrauterinas, como rubéola, sarampo ou sífilis. Nesses casos, o acompanhamento pediátrico e oftalmológico faz toda a diferença.
Outros tipos incluem a secundária, causada por doenças ou uso de medicamentos; a traumática, que aparece após lesões no olho; e a que pode surgir após tratamentos com radiação. Cada uma pede avaliação individual, sem “receita única”.
Alguns hábitos do dia a dia também entram no radar quando o assunto é saúde ocular. A Gazeta Mais reuniu orientações sobre hábitos comuns prejudicam sua visão, com foco em prevenção e cuidado contínuo.
Principais causas e fatores de risco
A catarata é a principal causa de cegueira no mundo e está associada principalmente ao processo de envelhecimento. A exposição à radiação ultravioleta (UVA e UVB) também é um fator importante, assim como diabetes e tabagismo.
Na prática, isso significa olhar para o conjunto da rotina. Proteger os olhos do sol, controlar doenças crônicas e reduzir fatores de risco ajuda a manter a visão mais estável ao longo do tempo, mesmo quando a idade avança.
Quem fuma, por exemplo, tende a acumular danos que não ficam restritos ao pulmão. Se a meta é abandonar o cigarro, a Gazeta Mais publicou um guia com dicas e benefícios para abandonar o cigarro e reduzir impactos no organismo.
No caso do diabetes, manter a glicemia dentro da meta indicada pelo médico ajuda a proteger vasos sanguíneos e tecidos, inclusive nos olhos. Para quem busca ajustes práticos, vale conferir a lista essencial de alimentos para controlar sua glicemia.
A radiação UV também merece atenção, principalmente em exposições prolongadas. Mesmo quando o foco costuma ser a pele, entender UVA e UVB ajuda a reforçar o cuidado no dia a dia, como mostra a matéria sobre quantidade ideal de protetor solar diário e proteção contra raios solares.
Sinais que merecem atenção
O diagnóstico é feito a partir de sintomas como baixa da visão e perda de contraste. Muitas pessoas notam que a leitura cansa mais rápido, que a visão “lava” à noite e que luzes fortes incomodam mais do que antes.
Outro sinal comum é a sensação de que o óculos “não resolve” como resolvia. Trocar a lente pode até melhorar por um tempo, mas, quando a opacidade aumenta, o ganho tende a diminuir, e o desconforto vira parte da rotina.
Para facilitar a leitura, um checklist simples ajuda a observar o dia a dia sem paranoia:
- Você percebeu visão embaçada frequente, mesmo com óculos?
- Dirigir à noite ficou mais difícil por causa de faróis e reflexos?
- Ler ou reconhecer rostos exige mais esforço do que antes?
- A luz parece “estourar” e o contraste parece menor em ambientes claros?
Se a resposta for “sim” para mais de um item, o caminho mais seguro é marcar consulta. Em casos de dúvida, vale voltar ao básico: prevenção, exames regulares e atenção aos sinais, como reforça a orientação sobre se prevenir das principais doenças oculares.
Como é o procedimento
O procedimento cirúrgico mais comum para tratar a catarata é a facoemulsificação, técnica que utiliza ultrassom para fragmentar o cristalino opaco em pequenas partes, que são retiradas do olho por meio de uma incisão mínima.
Em seguida, uma lente intraocular é implantada para substituir o cristalino removido, o que permite restabelecer a função visual do paciente. No caso do presidente Lula, não foi informado qual tipo de procedimento será utilizado.
O paciente costuma ter alta no mesmo dia e em cerca de uma semana pode voltar ao trabalho. A recomendação, porém, é respeitar o pós-operatório, usar os colírios prescritos e evitar esforços que possam aumentar o risco de inflamação.
Um detalhe que muita gente ignora é que o corpo também pesa na saúde ocular. Estresse e falta de descanso podem piorar desconfortos e fadiga visual, tema que a Gazeta Mais abordou em estresse afeta a visão e a saúde oftalmológica.
Cirurgias realizadas por Lula
Desde o fim de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por quatro cirurgias. Em novembro daquele ano, ele foi submetido a um procedimento para retirada de uma leucoplasia na prega vocal esquerda, após apresentar rouquidão.
Em setembro de 2023, Lula realizou uma artroplastia total do quadril direito para tratar artrose. Ainda em 2023, também passou por uma blefaroplastia bilateral para correção do excesso de pele nas pálpebras.
Já em dezembro de 2024, o presidente foi operado para drenagem de um hematoma intracraniano, decorrente de uma queda sofrida em outubro. Ao todo, Lula já fez, desde 2022, ao menos quatro procedimentos cirúrgicos.
Quando a catarata vira assunto de rotina
A catarata costuma entrar no radar quando passa a atrapalhar a vida real: leitura, direção, trabalho e autonomia. O ponto-chave não é “aguentar mais um pouco”, e sim avaliar o impacto nas atividades e decidir com segurança.
Com informação clara e acompanhamento, a cirurgia tende a ser um passo planejado, não um susto. E, enquanto esse momento não chega, hábitos simples — proteção, controle de doenças e exames — ajudam a manter a visão mais estável.


