Há cada vez mais relatos de pessoas que usam ferramentas de inteligência artificial para alívios emocionais. A prática, porém, pode causar riscos.
Segundo a psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da Caminhos da Terapia e da Mentoria Bem Me Quero, o problema está na forma como a IA responde.
“O ChatGPT acolhe, mas não confronta. Ele tende a romantizar ou moldar aquilo que a pessoa quer ouvir. Com o tempo, isso pode dificultar que o paciente aceite a realidade ou escute uma orientação que implique em mudança”, explicou.
No Brasil, cerca de 12 milhões já utilizam ferramentas de inteligência artificial para fazer terapia, segundo estimativa do UOL com dados da agência de comportamento Talk. Cerca de metade usou o ChatGPT.
Nos Estados Unidos, aproximadamente 49,2 milhões de adultos utilizaram ferramentas baseadas em IA, como o próprio ChatGPT, para apoio na saúde mental, segundo uma pesquisa da NymVPN.
A especialista destacou que, na terapia, o confronto saudável faz parte do processo de crescimento e autoconhecimento.
“Quando o paciente recebe uma intervenção profissional, pode sentir que não foi compreendido ou acolhido, mas, na verdade, está sendo convidado a enxergar sua situação por uma nova perspectiva. Algo que a tecnologia ainda não é capaz de proporcionar”.
A recomendação, sempre, é procurar especialistas para situações de saúde mental, para entender, de fato, o melhor acolhimento para cada caso.
