As testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança significativa em sua política sobre transfusões de sangue: agora, fiéis poderão armazenar e reutilizar o próprio sangue em procedimentos médicos previamente planejados. A atualização, no entanto, mantém a proibição de receber sangue de outras pessoas.
A decisão foi comunicada por Gerrit Lösch, um dos líderes do grupo, que destacou que cada membro deve decidir individualmente como seu sangue será utilizado em tratamentos médicos e cirúrgicos.
A mudança representa uma flexibilização pontual, mas preserva um dos pilares mais conhecidos da doutrina do grupo.
Nova regra flexibiliza uso do próprio sangue
Com a atualização, membros da religião poderão, por exemplo, realizar cirurgias programadas utilizando sangue previamente coletado e armazenado do próprio corpo. Ainda assim, transfusões com sangue doado por terceiros seguem proibidas.
Segundo a própria organização, a crença na “santidade do sangue” permanece inalterada, baseada em interpretações bíblicas do Antigo e do Novo Testamento que orientam a abstenção do uso de sangue.
Atualmente, as Testemunhas de Jeová afirmam ter cerca de 9 milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.
Críticas e casos judiciais reacendem debate
Apesar da flexibilização, a nova política foi alvo de críticas de ex-integrantes, como Mitch Melon. Ele avalia que a mudança não resolve situações de emergência, quando transfusões com sangue doado podem ser decisivas para salvar vidas.
O debate sobre o tema também envolve decisões judiciais. Em novembro do ano passado, a Justiça determinou que o SUS pagasse um hospital particular para uma paciente realizar um transplante de medula óssea sem transfusão de sangue, prática recusada por testemunhas de Jeová.
Já em janeiro desse ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou o pedido de indenização feito pela mãe de uma jovem testemunha de Jeová que recebeu uma transfusão de sangue em um hospital em Santos, no litoral de São Paulo.
O caso reforça o dilema recorrente entre liberdade religiosa e decisões médicas em situações de risco, tema que continua gerando debates em diferentes países.
