2023 é uma folha em branco

Começo o novo ano com a leve impressão que o brasileiro está se reencontrando novamente; me lembro agora, Pelé disse 'Love, love, love'

As filhas de Pelé e o presidente da CBF Ednaldo Pereira entraram em campo com as taças da Copa do Mundo conquistadas pelo rei em 1958, 1962 e 1970

Pelé | Divulgação

É sempre bom começar. O ano que se inicia é uma folha em branco para todos nós, mesmo que a vida seja simplesmente uma continuidade das coisas. Ninguém começa zerado. Trazemos toda uma bagagem adquirida. Os problemas continuam os mesmos, as angústias, os desejos, objetivos e as tarefas. A vontade de dar a volta por cima, a ambição de se manter no topo, aquilo que nos faz levantar da cama todos os dias e lutar. Amores, ódios, frustrações, vícios, virtudes, defeitos, tropeços…. Tudo está ali novamente. Cabe a nós a tentativa de mudar um pouco o rumo das coisas, da nossa vida, do destino. Numa fração de segundos tudo pode mudar. Num detalhe o nosso ano pode ser definido. Que surpresa 2023 reserva?

A verdade é que os últimos dias foram agitados. Mesmo num ritmo mais lento de fim de ano, coisas importantíssimas aconteceram. Nos despedimos do maior de todos e vimos o descaso daqueles que se alçam como ídolos, mas não chegam aos pés da nobreza do Rei do povo. E foi assim que Pelé se despediu. Nos braços dos seus. Ignorado por quem tem vida de rei, graças ao dinheiro e conquistas pessoais, mas que cada vez menos tem o reconhecimento de um país que jamais virou as costas para seus verdadeiros ídolos. Muito pelo contrário, se viu neles. Desde sempre, quem se virou contra os seus foram aqueles que se acharam grandes o suficiente para viverem isolados numa redoma, sem nunca entender o que se passa na cabeça do brasileiro. Diferente de Pelé, cobrado sempre de forma excessiva e injusta. Nunca revidou um ataque. Sempre respondeu com um sorriso e uma palavra de amor. Forma com Jesus Cristo e Nelson Mandela a maior trinca de homens que já pisaram nessa terra. Edson Arantes do Nascimento é nosso. Pelé é eterno. 

O fim de 2022 e o início de 2023 ficarão lembrados como o período em que enterramos o Rei e vimos o ressurgimento da maior figura política que esse país já teve. De longe, Pelé e Lula foram as maiores coisas que já produzimos. Figuras enormes que aguentaram todos os tipos de porrada. Pagaram o preço por serem imensos. É muito mais fácil acertar um gigante, mas é quase impossível detê-lo. Édson, Luiz Inácio e o Brasil são muito maiores que seus detratores e viveram provando isso. 

Começo 2023 com a leve impressão que o brasileiro está se reencontrando novamente, após ficar pelas armadilhas no caminho. Existe um longo trajeto a ser percorrido e muita gente que se fantasia de verdade, sendo a mais pura mentira, para atrapalhar a caminhada do nosso povo, que triunfará novamente. 
“Pelé disse 
Love, love, love “ 

“No meu coração da mata gritou Pelé, Pelé
Faz força com o pé na África 
O certo é ser gente linda e dançar, dançar, dançar…”