Batalha pela vacina

No meio da batalha entre o Palácio do Planalto e o Governo de São Paulo, está a população que aguarda ansiosamente uma vacina segura e eficiente contra o coronavírus

Na última quarta-feira (21), o governador João Doria visitou o Senado Federal, em Brasília, com a vacina Coronovac

Na última quarta-feira (21), o governador João Doria visitou o Senado Federal, em Brasília, com a vacina Coronovac | Divulgação/Governo de São Paulo

A vacina contra a Covid-19 tem sido alvo de uma queda de braço entre o Planalto e o governo de São Paulo. Esta semana a compra da Coronavac – imunizante que está sendo desenvolvido por um laboratório chinês em parceria com o Instituto Butantan – pelo Ministério da Saúde foi barrada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Continua após a publicidade

Um dia antes do presidente vetar a vacina, o ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello, tinha apresentado durante uma reunião virtual com 27 governadores a assinatura de protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac ainda este ano. Porém, após a pressão de Bolsonaro o Ministério da Saúde veio a público e negou o compromisso para compra de vacina chinesa com o governador João Doria (PSDB).

A Pasta ainda afirmou que houve uma “interpretação equivocada” da fala de Pazuello, sobre a aquisição das doses da Coronavac.

Ao desautorizar o chefe da Saúde, Bolsonaro falou em “traição” e disse que não acredita que a vacina transmita credibilidade “pela sua origem”. Em resposta ao presidente, Doria disse que, em meio a uma crise sanitária, “não é hora de fazer discussão de caráter político ou ideológico” e ressaltou que a guerra é contra o vírus.

Continua após a publicidade

No entanto, a decisão de Bolsonaro estaria ligada ao desacordo com o governador de São Paulo, que é visto pelo presidente como um potencial concorrente na disputa pela Presidência em 2022.

Além do embate politizado entre Bolsonaro e Doria, a produção da Coronavac no Brasil também tem causado desentendimento entre o Instituto Butantan e a Anvisa.

O diretor-geral do Instituto, Dimas Covas, declarou que a agência reguladora está retardando a autorização para a importação da matéria-prima da farmacêutica Sinovac, que vai possibilitar a fabricação da vacina no País. O pedido formal de liberação excepcional da importação do produto, segundo Dimas, teria sido enviado em setembro, mas foi informado que o assunto só será tratado em uma reunião marcada para o dia 11 de novembro. A Anvisa nega qualquer interferência política do governo.

Continua após a publicidade

No meio dessa batalha, enquanto a ciência cumpre seu papel e está cada vez mais próximo do imunizante, está a população que aguarda ansiosamente uma vacina segura e eficiente contra o coronavírus, que já infectou milhões e matou mais de 155 mil pessoas no País em sete meses de pandemia. O povo precisa da cura, não importa a origem da vacina.