Mais um partido

O Brasil tem hoje 75 partidos políticos. Para alguns, a lista extensa se justifica pelo País ser heterogêneo e ter uma população grande, porém é senso comum que tanta representatividade na verdade é disfarce para grupos políticos obterem
vantagens.

Continua após a publicidade

Fundo eleitoral, fundo partidário, tempo de televisão, articulação política e troca de favores movem essa locomotiva. Na teoria, cada sigla deve representar um tipo de pensamento e defender um interesse comum de um grupo de pessoas, mas na prática um partido pode surgir só para resolver uma briga política.

Esta semana, o presidente Jair Bolsonaro, que se desfiliou do PSL, deu o pontapé inicial para a criação do seu próprio partido, o “Aliança pelo Brasil”. Com o número 38 e o lema Deus, Família e Pátria, o partido visa atender os devotos fiéis e a família de Bolsonaro.

O presidente, em menos de um ano de governo, já demonstrou que não valoriza aliados, expurgando tudo e todos que discordam de suas ideias e decisões. Foi assim com a cúpula do PSL. Na lista constam Luciano Bivar, Joice Hasselmann, Alexandre Frota, Gustavo Bebianno, Wilson Witzel e ainda João Doria.

Continua após a publicidade

A base da democracia de discutir propostas para chegar em a ponto comum dentro de um parlamento é chamada de “velha política” pelo presidente, que não se importa em ter a maioria para governar.

Para o novo partido ser criado terão que ser cumpridas várias regras, como colher 500 mil assinaturas em quatro meses. Ainda é incerto se o Aliança pelo Brasil conseguirá participar das eleições de 2020. A ideia é viabilizar a coleta de assinaturas digitais. Já há uma consulta neste sentido sob análise do Tribunal Superior Eleitoral e o tribunal admitiu a possibilidade, desde que as assinaturas fossem validadas por meio de certificação digital.

Uma pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e da Fundação Getulio Vargas (FGV), de 2018, afirma que que apenas dois partidos já seriam suficientes para representar a sociedade brasileira no Congresso Nacional, e que 25 partidos têm posições muito semelhantes na Câmara.

Continua após a publicidade

No entanto, o partido de Bolsonaro tem características singulares por defender ideais extremamente conservadores. A sua criação é a única maneira de o presidente ter liberdade para atuar e colocar em prática seu projeto de governo pautado no conservadorismo, defesa das armas e religiosidade. Não havia ainda um partido feito à imagem e semelhança de Bolsonaro. Agora vai ter.