As eleições municipais de 2020 serão um bom termômetro de qual será o novo momento político do País após a segunda metade desta década apresentar o tombo da esquerda e a ascensão das forças de direita, culminando com a vitória de Jair Bolsonaro. Ano que vem saberemos se o eleitor continuará seguindo por um caminho ultraliberal na economia e conservador nos costumes ou se procurará um trajeto mais equilibrado.
O panorama é especialmente misterioso na cidade de São Paulo. O atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), já indicou que tentará a reeleição. Ele tem a seu favor o apoio do governador João Doria (PSDB) e o fato de ser um político mais sereno e técnico, que não costuma disparar impropérios à toa contra adversários. O que tem contra si é exatamente esse comedimento, em um momento em que bravatas e notícias inventadas parecem ser a receita ideal para levar alguém ao poder.
Por sua vez, a chance do PT ganhar as eleições seria a candidatura dos ex-prefeitos Fernando Haddad ou Marta Suplicy. O ex-presidente Lula tenta, aliás, formar uma chapa com a dupla. Contudo, o primeiro não quer se candidatar e a segunda sofre rejeição de parte da sigla, por ter ido ao MDB e apoiado o impeachment de Dilma Rousseff. Sem Haddad ou Marta, o PT não parece ter um nome sequer para sonhar com o segundo turno.
Já o Psol se movimenta para formar uma dobradinha do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, com a deputada Luiza Erundina, prefeita da Capital de 1989 a 1992. Apesar de garantir votos de campos mais progressistas, a chapa não deve ser bem-sucedida eleitoralmente.
Existe ainda Márcio França (PSB), que chegou ao segundo turno das eleições ao governo do Estado com Doria em 2018 e bateu o adversário na Capital. Há a chance de se candidatar ou formar uma chapa com algum partido de esquerda.
Do outro lado do muro, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) quer ser a próxima prefeita de São Paulo. A intenção de Doria, porém, é que ela componha uma chapa como vice de Covas.
O polêmico deputado estadual Arthur do Val (sem partido), o Mamãe Falei, é outro que quer levar suas bandeiras liberais à sede da prefeitura. A dificuldade será encontrar um partido até 2020. Do Val foi expulso do DEM em novembro e precisa encontrar uma legenda a tempo.
A eleição municipal de 2020 será fundamental. Será quando saberemos se o Brasil estará indo a um caminho extremamente conservador ou se haverá opção por uma sociedade mais plural. É esperar – e atuar – para ver.