Por que humanos coletam cristais há 780 mil anos? Chimpanzés revelam uma pista surpreendente sobre esse fascínio

Um experimento revelou que chimpanzés também se encantam por cristais, dando pistas sobre uma curiosidade que atravessa a evolução humana

Cristais podem ter despertado a curiosidade de ancestrais humanos há centenas de milhares de anos (Foto: hans middendorp/ Pexels)

Cristais podem ter despertado a curiosidade de ancestrais humanos há centenas de milhares de anos (Foto: hans middendorp/ Pexels)

Muito antes de os cristais virarem peças de decoração, joias ou objetos associados a diferentes crenças, nossos ancestrais já pareciam enxergar algo especial nessas pedras.

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Registros arqueológicos indicam que grupos de hominínios coletavam e transportavam cristais de quartzo e calcita há pelo menos 780 mil anos, mesmo quando não havia uma função prática evidente para eles. Agora, um comportamento observado em chimpanzés pode ajudar a explicar por que essas pedras chamavam tanta atenção.

Pesquisadores descobriram que os animais não apenas distinguiam cristais de pedras comuns, mas também passavam bastante tempo examinando suas características. O resultado levanta uma possibilidade fascinante: a atração por determinados objetos pode ter raízes muito mais antigas do que a própria humanidade moderna.

O que os chimpanzés fizeram diante dos cristais

Para investigar a possível origem desse fascínio, pesquisadores estudaram dois grupos de chimpanzés aculturados da Fundação Rainfer, na Espanha.

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Os animais receberam acesso a diferentes tipos de cristais e pedras comuns. No primeiro experimento, um cristal grande foi colocado ao lado de uma rocha de tamanho semelhante.

Embora os dois objetos tenham despertado atenção no início, o cristal se tornou o favorito dos chimpanzés, enquanto a pedra comum foi praticamente deixada de lado.

Depois, quando o cristal foi retirado da plataforma, os animais continuaram interessados. Eles o giravam, inclinavam e observavam de diferentes ângulos.

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Um dos chimpanzés, chamado Yvan, chegou a carregar o cristal para os dormitórios. O interesse foi tão grande que os tratadores precisaram oferecer bananas e iogurte para conseguir recuperar o objeto.

Cristais foram escolhidos em meio a pedras comuns

Em outro experimento, os pesquisadores quiseram descobrir se os chimpanzés conseguiam reconhecer cristais menores, semelhantes aos encontrados em sítios arqueológicos associados a antigos hominínios.

Para isso, colocaram cristais de quartzo em meio a um conjunto de 20 pedras arredondadas. O resultado mostrou que os chimpanzés identificaram os cristais em poucos segundos. A equipe também acrescentou cristais de pirita e calcita, que possuem características diferentes do quartzo.

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Mesmo assim, os animais continuaram capazes de separar os cristais das pedras comuns. Uma das chimpanzés, Sandy, ainda transportou pedras e cristais até uma plataforma de madeira e os separou em grupos.

Ela conseguiu distinguir diferentes tipos de cristais, mesmo quando eles apresentavam diferenças de transparência, simetria e brilho.

Por que os cristais parecem tão especiais?

A principal pista encontrada pelos cientistas está em duas características: transparência e formato geométrico.

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Os chimpanzés demonstraram interesse particular pela possibilidade de observar através dos cristais. Em alguns momentos, seguravam as peças na altura dos olhos e examinavam sua transparência.

Além disso, as formas dos cristais se destacam bastante das encontradas na natureza. Árvores, animais, rios, montanhas e nuvens apresentam predominantemente formas curvas, irregulares ou ramificadas.

Já os cristais podem apresentar superfícies planas, linhas retas e estruturas geométricas bastante regulares. Para os pesquisadores, justamente essa combinação pode ter feito dessas pedras objetos especialmente chamativos para os primeiros humanos.