O que levaria milhões de pessoas a viajar nos anos 1970 e 1980 para conhecer um abacaxi gigante de 16 metros de altura? Construído em uma fazenda de Queensland, na Austrália, o chamado Big Pineapple se transformou em uma das atrações mais populares do país na época, além do sucesso internacional.
O monumento fez um sucesso tão grande que chegou a receber a realeza britânica e atrair mais de um milhão de visitantes por ano. Depois do auge, no entanto, passou 14 anos abandonado, em meio a disputas e problemas financeiros. Agora, o local tenta recuperar o prestígio que conquistou no passado.
O enorme abacaxi foi inaugurado em 1971 e nasceu de uma ideia simples: transformar uma fazenda produtora da fruta em um destino turístico. A estratégia, porém, acabou indo muito além do esperado.
De fazenda a atração turística
A estrutura fazia parte da Sunshine Plantation, uma fazenda de abacaxis em Queensland, na Austrália, que decidiu apostar no agroturismo. Na época, a proposta era aproximar os visitantes da produção rural e, ao mesmo tempo, criar uma atração marcante.
O abacaxi gigante foi construído com uma estrutura de aço revestida por fibra de vidro. No interior, os visitantes podiam subir até uma plataforma de observação instalada no topo da construção.
A ideia deu certo. Durante as décadas de 1970 e 1980, o local chegou a receber mais de um milhão de visitantes por ano e empregava cerca de 350 pessoas, tornando-se um dos destinos turísticos mais populares da Austrália.
O abacaxi que conquistou a realeza
A fama do lugar não vinha apenas da construção gigante. O complexo também ficou conhecido pelos parfaits, sobremesas feitas com sorvete, chantilly, frutas tropicais e nozes de macadâmia, que viraram uma tradição entre os visitantes.
Em 1983, a atração ganhou um visitante ilustre. Durante uma viagem a Queensland, o então príncipe Charles e a princesa Diana passearam pelo local a bordo do famoso Trem do Abacaxi.
A visita ajudou a consolidar a imagem do monumento como uma parada turística importante. Afinal, o que começou como uma forma de divulgar uma fazenda havia se transformado em um símbolo da região.
Reconhecimento tardio
O reconhecimento oficial veio com o passar dos anos. Em 2006, o Queensland National Trust incluiu o Big Pineapple em sua lista de ícones estaduais, ao lado de lugares e símbolos importantes do estado.
No ano seguinte, a imagem do monumento apareceu em uma série de selos dos Correios da Austrália. Depois, em 2009, a construção recebeu proteção ao ser declarada Patrimônio Cultural de Queensland.

Quando o gigante ficou para trás
Apesar do reconhecimento, o sucesso do Big Pineapple começou a diminuir na década de 1990. Uma mudança no trajeto de uma rodovia desviou parte do fluxo de veículos, reduzindo o número de turistas que passavam naturalmente pela atração.
Com menos visitantes, a operação passou a enfrentar dificuldades financeiras. O complexo mudou de mãos e perdeu força, enquanto a manutenção da estrutura e das demais áreas se tornava cada vez mais complicada.
O momento mais dramático aconteceu em 13 de outubro de 2010. Naquele dia, funcionários chegaram para trabalhar e encontraram a entrada fechada. A atração havia sido abandonada durante a noite.
O que veio depois foi um longo período de incerteza. Foram 14 anos marcados por disputas judiciais, promessas que não se concretizaram e uma estrutura que perdeu parte do brilho que tinha conquistado.
Uma nova chance para o Big Pineapple
A história começou a mudar em junho de 2024, quando o Big Pineapple voltou a receber visitantes sob a administração do novo proprietário, Peter Kendall. Desde então, a prioridade passou a ser recuperar o complexo aos poucos.
Atualmente, o espaço reúne atrações de aventura, natureza e gastronomia. Entre elas estão um circuito de arvorismo, tirolesas, um zoológico com mais de 200 espécies e experiências de degustação de rum e gim.
O tradicional Trem do Abacaxi também continua circulando pelo complexo. Além disso, os visitantes podem voltar a subir até a plataforma de observação instalada no interior da enorme fruta de fibra de vidro.

Planos futuros
A revitalização, entretanto, ainda está longe de terminar. O plano inclui reabrir o prédio principal, criar um novo campo de abacaxis, instalar toboáguas e construir acomodações de luxo em estilo glamping.
O projeto também prevê o retorno dos famosos parfaits, que fizeram parte da memória de gerações de turistas. Segundo o proprietário, a restauração completa pode levar décadas, mas a atração já ganhou uma nova oportunidade.
Para Amy Clarke, pesquisadora da Universidade de Sunshine Coast especializada em monumentos de grande escala, o Big Pineapple é “o padrão ouro” desse tipo de construção na Austrália.
A pesquisadora destaca, em entrevista ao Infobae, que o monumento reúne características que ajudam a explicar sua força cultural: tamanho impressionante, integração com a paisagem e permanência ao longo do tempo.
Assim, o que nasceu como uma maneira inusitada de divulgar uma fazenda de abacaxis acabou se tornando parte da identidade de Queensland. Mais de cinco décadas depois, o gigante de fibra de vidro continua tentando provar que ainda tem espaço no turismo australiano.






