Capital do arroz fica no interior de São Paulo e não tem lavouras

Apesar de nunca ter havido lavoura de cereal no município, a trajetória da cidade se mistura com a da industrialização do arroz

Reconhecida oficialmente como capital do arroz, cidade nunca teve lavoura do cereal

Reconhecida oficialmente como capital do arroz, cidade nunca teve lavoura do cereal | Freepik

A trajetória de Santa Cruz do Rio Pardo está diretamente ligada à indústria do arroz, mesmo que a cidade jamais tenha produzido grão em suas terras. 

Assim como muitas cidades paulistas, o município tinha no café sua principal atividade e reunia diversos comerciantes deste produto.

Por volta da década de 1960, esses comerciantes aproveitaram a instalação da Suzuki, uma fabricante de máquinas de beneficiamento de arroz, para começar a trazer o cereal do Mato Grosso do Sul, onde o cultivo havia sido iniciado por produtores gaúchos.

Negócio estratégico

“Além de uma indústria de máquinas ter surgido na cidade, esses precursores do negócio se beneficiavam da logística, entre o polo produtor e o mercado consumidor”, explica Fernando Zaia, diretor da Brasília Alimentos, em entrevista à Globo Rural.

Naquele período, uma ferrovia ligando o interior paulista ao Rio Grande do Sul facilitava a chegada do arroz.

Já na década de 1980, o sucesso da atividade levou ao surgimento de dezenas de beneficiadoras de arroz no Estado, sendo 27 apenas em Santa Cruz do Rio Pardo.

Com o passar dos anos, várias fecharam ou se uniram, restando 12 unidades em funcionamento em todo o Estado. Seis delas estão na cidade e juntas representam 25% do arroz consumido em São Paulo e 4% do total do país.

Capital do arroz

Com esse histórico, Santa Cruz do Rio Pardo recebeu em 2023o título de capital paulista do arroz (Lei 17.879).

Graças a esse polo industrial, a cidade apresenta a maior média salarial da região. Seu PIB per capita é de R$ 57,8 mil, o que a coloca na liderança regional. No ranking estadual, ocupa a 101ª posição e, no nacional, o 698º lugar.